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Histórias do Oscar (3)

Luiz Carlos Merten

24 de fevereiro de 2018 | 11h10

Se Sacheen Littlefeather marcou o Oscar de 1972 por sua recusa em aceitar o prêmio atribuído a Marlon Brando – você pode ver no YouTube a mãozinha delas fazendo nsao -, no ano seguinte foi a vez de um tal Robert Opal tirar a roupa e correr nu pelo palco durante a atribuição dos prêmios de interpretação. O lendário David Niven comandava a entrega na hora e não perdeu a fleuma. Cravou que a única gargalhada que ‘esse pobre homem terá foi por ter nos mostrado tão pouco’. Seguindo a premiação ano a ano, em 1974 Ellen Burstyn venceu por Alice Não Mora Mais Aqui, mas como estava no ar, no programa de Jackie Gleason, seu diretor recebeu o Oscar por ela. Por muitos anos, John Harkness não perde a chance de observar em seu Handbook, foi o mais próximo que Martin Scorsese esteve do Oscar. Houve protesto em 1975 porque Louise Fletcher venceu como melhor atriz por Um Estranho no Ninho, fechando o Big Five atribuído ao longa de Milos Forman. Melhor filme, diretor, roteiro adaptado, ator (Jack Nicholson) e atriz. O protesto foi porque Louise venceu como protagonista e, tecnicamente, seu papel é de coadjuvante. Foi o inverso do que ocorreu recentemente com Viola Davis, que venceu como coadjuvante em Um Limite entre Nós, quando é coprotagonista com Denzel Washington, no filme dirigido por ele. Em 1976, o ano de Rocky, Um Lutador, a italiana Lina Wertmuller tornou-se a primeira mulher indicada para o Oscar de direção, por Pasqualino Sete Belezas, mas não venceu nem na categoria nem como filme estrangeiro – o troféu foi Preto e Branco em Cores, de Jean-Jacques Annaud. Naquele ano, ocorreu um fato curioso. Piper Laurie foi indicada para melhor atriz coadjuvante por Carrie, a Estranha exatamente 15 anos depois de sua primeira indicação, na mesma categoria, por Desafio à Corrupção, de Robert Rossen, com Paul Newman. O interessante é que os dois filmes são consecutivos na carreira da atriz, que passou todo esse tempo longe do cinema. Em 1977, Vanessa Redgrave fez escândalo ao agradecer seu prêmio de coadjuvante por Júlia, de Fred Zinnemann. Vanessa lembrou seu apoio aos palestinos e agradeceu à Academia por resistir ‘à pressão sionista’. Isso levou a um desagravo e o roteirista Paddy Chayefsky, apresentando os prêmios da categoria, acusou Vanessa de estar subvertendo a festa com sua política. Houve tréplica, e quem defendeu Vanessa foi o diretor israelense Moshe Misrahi, que venceu como filme estrangeiro pela França, Madame Rosa, com a esquerdista notória, Simone Signoret, como uma prostituta aposentada que cria os filhos abandonados por suas colegas na mais velha profissão do mundo. E em 1978, no ano da vitória de O Franco Atirador, de Michael Cimino, Jane Fonda, melhor atriz por Amargo Regresso, disse que o verdadeiro filme sobre (e contra) a Guerra do Vietnã, era o dela, dirigido por Hal Ashby. O de Cimino só abrira pró-forma, em um cinema de Nova York e outro de Los Angeles, esperando pelo Oscar para estrear nacionalmente. Naquele ano de protesto, na tela e no palco, contra o Vietnã, quem apresentou os prêmios foi, amarga ironia, um apoiador da guerra, o lendário John Wayne, visivelmente debilitado pelo câncer e aplaudido até por Hanói Jane. O Duke morreria no ano seguinte.

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