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Histórias do Oscar (2)

Luiz Carlos Merten

24 de fevereiro de 2018 | 10h18

Mais histórias de Oscar do livro de John Harkness. Em 1972, a Academia entrou em franco desacordo com o Director’s Guild, que premiara Francis Ford Coppola por O Poderoso Chefão, e preferiu atribuir a estatueta da categoria para o Bob Fosse de Cabaret. O Chefão venceu como melhor filme, ator (Marlon Brando) e roteiro adaptado (Mario Puzo e Coppola), mas Cabaret fez história com o maior número de prêmios para um filme que não venceu a categoria principal. Foram oito Oscars, incluindo diretor, atriz (Liza Minnelli), ator coadjuvante (Joel Grey), direção de arte e fotografia. Bob Fosse foi indicado três vezes para melhor diretor, e nas três, 1972, 74 e 79, concorreu diretamente com Coppola. Seu grande ano foi o primeiro, porque ele conseguiu vencer a tríplice coroa da direção na ‘América’, ganhando o Oscar, o Tony e o Emmy. Aquele também foi um ano histórico, porque raras atrizes negras haviam sido indicadas antes para o prêmio principal, e em 1972 concorreram duas – Cicely Tyson, por Sounder – Lágrimas de Esperança, a obra-prima de Martin Ritt – Sounder é o cachorro de uma família de negros pobres durante a depressão, cuja história é contada por seus olhos, como Baleia em Vidas Secas -, e Diana Ross, pela biopic de Billie Holiday por Sidney J. Furie, O Ocaso de Uma Estrela. Harkness arrisca o óbvio, que as duas se anularam e abriram espaço para Liza, que, afinal, pertencia à realeza de Hollywood, filha de Judy Garland e Vincente Minnelli, além de estar ótima, realmente (mas eu ainda a prefiro em Dize-me Que Me Ama, Junie Moon, de Otto Preminger, filme totalmente desprezado na época). A história mais divertidas daquele ano – 1) Charlton Heston, que seria o apresentador, ficou preso no trânsito (acreditam?) e Clint Eastwood, na plateia, foi chamado às pressas para substituí-lo. Clint pagou o mico de ler, no teleprompter, os textos escritos para Charlton. Sentiu-se tão ridículo que jurou que só voltaria quando indicado. Voltou e venceu; e 2) Brando, como já foi relatado num post anterior, não foi receber o prêmio que recebeu pelo Vito Corleone do Chefão. Em protesto contra Hollywood e a sociedade dos EUA por seu tratamento contra os nativo-americanos, enviou o que seria uma ativista índia, Sacheen Littlefeather, que se descobriu ser falsa, uma atriz B que aproveitou o momento de glória e posou nua, na sequência, para a Playboy.

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