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Heróis e deuses, Jasão e seus argonautas

Luiz Carlos Merten

09 de setembro de 2020 | 11h12

Fiz ontem um destaque de TV – Jasão e os Argonautas. A deliciosa fantasia de Donald (Don) Chaffey passa às 14h10 desta quarta, 9, no TCM. O filme é inglês e surgiu em 1963, quando se esgotara o ciclo das fantasias mitológicas no cinema industrial italiano e despontava a era dos spaghetti westerns. Todd Armstrong, como Jasão, constroi a nave Argo e com os companheitos heróis – daí os argonautas – viaja à Cólquida em busca do Velo de Ouro. Ganha ajuda de Medeia, que foge com ele e trama a morte do rei de Iolco, cumprindo a profecia. Mais tarde, rejeitada por Jasão, Medeia mata os próprios filhos. De todas as incursões de Pier-Paolo Pasolini pela tragédia grega, Medeia é a minha favorita. Desde o começo, o menino Jasão, que será criado pelo centauro Quiron, é introduzido por ele no mundo sagrado. “Tudo é santo”, lhe diz Quiron. E Medeia é a Callas, poderosa na cena final da loucura. Enfim, desviei-me do assunto. Para criar os desafios que Jasão tem de enfrentar – topuros que cospem fogo, o dragão, um exército de esqueletos -, Chaffey recorreu ao especialista em efeitos, Ray Harryhausen, e ainda contou com o hitchcockiano Bernard Herrmann na trilha. O filme tem um visual maravilhoso e embora a fantasia seja sob medida para atrair o público adolescente – é violento demais para o infantil -, o que me encanta é o roteiro adulto de Beverly Cross. Jasão inaugura a era do Homem, recusando-se a viver segundo os desígnios dos deuses. E Beverly/Chaffey permitem-se certas liberdades. Hera vive azucrinando o marido, Zeus, no que não deixam de ser cenas de um casamento (complicado) no Olimpo. Falar de Hera me permite honrar, aqui, Honor Blackman, que morreu em abril. Em 1964, ela faria história como a bondgirl de 007 Contra Goldfinger, de Guy Hamilton, uma das melhores de toda a série, incluídos todos os James que passaram pela tela. Além da bondiana Pussy Galore, Honor entrou para o meu imaginário como a Cathy Gale da série Os Vingadores, da qual Chaffey foi um dos criadores e virou cult na TV inglesa. Don Chaffey tirou a roupa de Raquel Welch, ao fazer dela a heroína seminua de Mil Séculos Antes de Cristo, e fez um filme de aventuras muito divertidfo, embora meio non sense. Apesar do título, A Rainha Viking, ou dos Vikings, não tem viking nenhum na história, que aborda o conflityo entre romanos e bárbaros druídas, incluindo um romance impossível entre Don Murray, como romano e a tal rainha, interpretada por uma atriz que era conhecida somente como Carita e que era uma modelo nórdica, alguma coisa assim. Não posso começa a lembrar desses filmes porque viajo nas matinés da minha infância e juventude. Vittorio Cottafavi, Hércules na Conquista da Atlântida. E Duccio Tessario, Os Filhos do Trovão, com Giuliano Gemma antes de virar Montgomery Wood nos faroestes italianos, e Jacueline Sassard. Arrivano I Titani! Perdi a conta das vezes que vi esse fgilme na época. Era maravilhoso! Era, mesmo, ou é a lembrança afetiva que lhe dá esse colorido especial? Jacqueline teve uma breve carreira. Filmou com Albverto Lattuada, Guendalina, Valerio Zurlini, Verão Violento, e Joseph Losey, Estranho Acidente. Casou-se com Gianni Lancia e abandonou o cinema. Para minha supresa, ao fazer uma pesquisa quando redigia o Zurlini nos Clássicos do dia, descobri que o casal morou em São Paulo, onde Gianni, um engenheiro automobilístico dono da Lancia, de Turim, esteve ligado às corridas de carros nos anos 1970. Que história!

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