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Hermanos Rodríguez presentam… Ay, Jalisco!

Luiz Carlos Merten

15 Janeiro 2019 | 12h53

SANTIAGO – Fui ontem à tarde à Cineteca Nacional, no Centro Cultural La Moneda, para ver Ay, Jalisco no te Rajes, no ciclo de cinema integrado à exposição América – Tierra de Jinetes. De cara, o crédito – Hns (Hermanos) Rodríguez Presenta. Joselito (José de Jesús Ruelas) dirige, Ismael é corroteirista e assistente de direção. Ismael Rodríguez dirigiu melodramas (No Desarás la Mujer de Tu Hijo, La Cucaracha, etc) e o cultuado Animas Trujano, com Toshiro Mifune, o ator dos clássicos de Akira Kurosawa, no papel de um índio mexicano. Gostei de ter visto Ay Jalisco, que tem uma estrutura de western. De cara, garoto sobrevive à morte dos pais por pistoleiros e cresce para se vingar. Ás no gatilho, Jorge Negrete adquire o codinome de ‘a metralhadora’, de tão rápido que dispara. E canta – a canção tema é interpretada várias vezes, por diferentes artistas -, e corteja, ele, o charro, a mocinha. Visto na perspectiva de hoje o filme mostra um tipo de galanteador que seria rechaçado pelo feminismo por assédio. Mas é interessante ver como o cinema nacional (mexicano) se apropriava de códigos – de ação e romance – integrados a um esquema musical ‘rancheiro’, do qual participavam os mariachis. O filme celebra ou crítica o estereótipo do macho mexicano? E, claro, o que mais me impressiona nesses filmes do período de ouro é sempre a fotografia, a qualidade da imagem. Alex Phillips no México, Chick Fowle no Brasil. Esses operadores ‘estrangeiros’ impuseram uma imagem que podia ser ‘acadêmica’, mas também era rigorosa na plasticidade do seu preto e branco, tanto nas externas como nas internas. A câmera, por sinal, era a mesma, a pesada Mitchell, que o Cinema Novo substituiria depois pela câmera na mão, com a iluminação natural, para criar a chamada ‘estética da fome’. Jorge Negrete! E um cômico, Carlos López, chamado ‘El Chaflán’! Da equipe técnica participava Miguel Delgado, que depois dirigiu os filmes de Mario Moreno, o Cantinflas. É curioso como esses filmes antigos terminam sempre por revelar origens e conexões de um cinema popular latino. E hoje tem mais – Vamonos con Pancho Villa!