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Henri Pick! Delícia de thriller literário

Luiz Carlos Merten

28 de julho de 2019 | 10h01

Antes da Sinai (e da Helena), fui ver ontem à tarde O Mistério de Henri Pick. Adorei o thriller literário de Henri Bezançon. Um crítico de literatura perde tudo – a mulher, o emprego – e tudo por duvidar da autoria de um livro de grande sucesso, atribuído a um pizzaiolo que nunca havia escrito uma linha sequer na vida. Fabrice Luchini é quem faz o papel (do crítico). Fica obcecado com o caso. Quer descobrir quem escreveu o livro e desmontar a farsa. Isso significa investir contra a jovem editora responsável pela façanha (de descobrir o manuscrito de M. Pick num hipotético museu de livros recusados) e até a filha do falecido, que não tolera esse intruso vir destruir a nova reputação de seu pai. Gostei demais do filme, do elenco, do suspense, da trilha. O filme tem algo de Truffaut, mas é melhor que os thrillers hitchcockianos de François. Sem risco de spoiler, quero acrescentar que nunca tive dúvida de quem era o autor, mas o desfecho me desconcertou, e vou ter de ver de novo. Fabrice reaproxima-se da filha de Pick, com quem, obviamente, quer ter um affair (e recomeçar a vida). Mostra-lhe um novo livro que está lendo, e a cena é rápida, não consegui ver o título. O filme ainda tem outra cena nos créditos, uma coisa meio Rosebud, de Cidadão Kane, mas botei na cabeça que aquele título que não identifiquei pode ser importante, e dar novo sentido às coisas. Deve ser alguma síndrome de Quentin Tarantino, essa mania de revisar a história, desconstruir as tramas, propondo-lhes novos rumos. E, a propósito, a Margot Robbie de Era Uma Vez em Hollywood. Sharon Tate! Estou vendo o Esporte Espetacular e a Globo está chamando para um especial sobre Sharon no Fantástico desta noite. Margot quase não fala no Era Uma Vez. É só luz. Falei que Brad Pitt faz a versão solar de Leo DiCaprio, e os dois interpretam o mesmo personagem, mas a figura solar de toda essa história é a Sharon/Margot, daí a história que se reinventa, e recomeça. De volta ao Mistério de Henri Pick, vejam. É delicioso.