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Haddad e Clóvys Tôrres, mãos dadas com a poesia

Luiz Carlos Merten

02 Outubro 2018 | 09h43

No sábado, após participar da manifestação das mulheres contra Bolsonaro e jantar com Doris, Lúcia e Fabi, passei pela casa de Orlando Margarido para tomar uma taça de vinho. Foram várias, na companhia de Ademir, Marcelo, Orlando e Clóvys Tôrres, que me chamou para ver o espetáculo dele – Me Dá Tua Mão -, às segundas, no HB Ninety, um hotel na Lorena 521, em frente ao Duas Teresas, no 513 e onde havia almoçado no sábado. O espetáculo é bem pequeno, pockett, numa salinha que ontem abrigava 11 pessoas. 11! Maravilhoso Haddad – o Amir, e não só. Ele dirigiu o monólogo Antígona, com Andréa Beltrão. Adriana Esteves, na entrevista que me deu, disse que Amir Haddad mudou sua vida. Me Dá Tua Mão é monólogo. Clóvys conta uma história – de perdas e superação. O filho, o menino que foi dormir no fundo do mar e eu não pude deixar de pensar em Alfonsina. Por la blanda arena que lambe el mar… A mulher, o pai…O lamento do berrante. Fiquei magnetizado naquela hora e 15. Clóvys constrói/desconstrói seu drama com o mínimo de elementos. Tapete, cadeira e sua roupa de príncipe, que ele bordou. Clóvys estava no elenco do Godot de Elias Andreato, com Cláudio Fontana, figurino de Gabriel Villela. Puta ator charmoso, viril. Encarna o masculino e o feminino. É brechtiano – subordina sua emoção à técnica. Entre os 11, ontem, estava o Zécarlos Machado. Virou um encontro de amigos.