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Guerra dos mundos! Juliana!

Luiz Carlos Merten

23 Setembro 2018 | 00h38

Meu post anterior não adiantou. Ecoou no vazio. Não consegui ingresso para ver Cérebro, Coração, mas saí passado das 7 de casa, corri para o CCBB e consegui comprar o último ingresso para ver o terceiro programa da série Histórias Extraordinárias no sábado. Achei o melhor de todos, e nem vou me explicar. Isso vai ficar para depois. Tinha grande expectativa por Guerra dos Mundos e me fascinou a forma como Daniela Pereira de Carvalho mistura H.G. Wells com Marguerite Duras, La Douleur, a Dor. E Juliana, sim, é extraordinária. Existirá atriz brasileira de teatro maior que ela, atualmente? Fernanda (Montenegro) não vale, é hors concours. Não estou discriminando Roberto Alvim, apesar do movimento de boicote a suas encenações. Tenho o maior respeito por ele, como criador, é gênio. Mas o tema de Guerra dos Mundos é a resistência. Nós contra eles, a humanidade versus marcianos. Estava olhando para Juliana no palco, e às vezes me desconcentrava. Tenho acompanhado, na medida do possível, os capítulos finais de Orgulho e Paixão. Por conta disso, tenho visto muita coisa da campanha eleitoral, muita matéria paga. Bolsonaro chamando aquela mulher de vagabunda – desculpem, mas não sei quem é. Repórter? Política? Não identifiquei. Não importa. A ofensa era ao gênero. Pensava – se o desaforo, vagabunda!, fosse para Juliana, Roberto Alvim ainda apoiaria Bolsonaro? Gostei muito de Guerra dos Mundos. E veio O Médico e o Monstro, a releitura de Robert Louis Stevenson, texto e direção de Alvim. Me perturbou. Mr. Hyde define seus crimes como obras de arte. Vê neles o futuro. Não estou muito seguro de que entendi a ‘mensagem’. No atual estado do mundo, esse apelo à desumanização, à desumanidade, vai contra tudo em que acredito. Bolsonaro é Hyde? E, se for, como apoiar o cara que, no leito do hospital, faz aquele gesto de disparar com um revólver imaginário? O Médico e o Monstro me desconcertou, mas Cacá Carvalho, que agora não interpreta Juliana Galdino – como em Drácula -, me encantou. É poderoso. Saí do CCBB e vim caminhando até a República para pegar táxi. Jantei no Gigio, perto de casa. Sozinho. Lembro-me de haver feito um post sobre estar sozinho em Paris. ‘Mesmo estando só/Eu me sinto feliz/Cantando a canção que embala Paris…’ Hoje, enquanto jantava, pensava justamente nisso. Quantos anos andei mal acompanhado? Ficar comigo tem sido um bálsamo, um reencontro.