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Guerra de irmãos vai a Gramado

Luiz Carlos Merten

03 de julho de 2014 | 09h43

Fiquei muito feliz com uma declaração de Rubens Ewald Filho, que integra o trio de curadores do Festival de Gramado. Justificando a presença de Os Senhores das Guerrras entre os concorrentes ao Kikito deste ano, Rubinho disse que é o melhor filme de Tabajara Ruas. Conheço o romance de José Antônio Severo, que foi meu editor no Rio Grande, sobre o antagonismo de dois irmãos na revolução de 1923 – um, maragato, o outro, chimango -, e nunca tive dúvida de que poderia dar um grande filme, mas para isso precisaria de um diretor do porte de Tabajara, amante do épico, mas fordiano na essência, atraído pela grandeza dos derrotados. Mas, assim como fiquei feliz com o que disse o Rubinho, antecipando o filme que espero que os Senhores da Guerra seja, também confesso que fiquei desconcertado porque ontem foram anunciados os concorrentes dos festivais de Gramado e Paulínia, o primeiro em agosto, o segundo, ainda em julho. Não sabia que Rubinho era curador dos dois, mas mesmo que não haja impedimento ético achei esquisito o acúmulo de funções, e mais ainda que dois filmes – A Infância, de Domingos Oliveira, e Sinfonia da Necrópole, de Juliana Rojas – estejam nas duas competições. Espero não ser o único a manifestar esse estranhamento, embora, agora sou eu que me antecipo, Rubinho possa dizer que já tem uma ligação afetiva e profissional com o Pólo de Paulínia e que, em Gramado, ele divide a curadoria com outros dois, o crítico e jornalista gaúcho Marcos Santuario e e a atriz e produtora argentina Eva Piwowarski. Confesso que, sem que isso represente nenhuma pré-disposição, além do longa de Tabajara Ruas outros dois me atraíram de cara na seleção de Gramado. São as estreias de dois atores – A Luneta do Tempo, ficção do multimídia Alceu Valença, e Esse Viver Ninguém Me Tira, documentário de Caco Ciocler. Valença, o ‘espantalho’ de Sergio Ricardo, se inspira na cultura popular nordestina e Caco resgata a única brasileira cujo nome consta da galeria dos Justos, em Jerusalém. Aracy Moebius de Carvalho Guimarães Rosa, segunda mulher do escritor Guimarães Rosa, conheceu o marido quando integrava o serviço diplomático na Alemanha. Ela emitiu passaportes brasileiros para judeus no consulado de Hamburgo, durante a 2.ª Guerra, e assim salvou um monte de gente. Sabia do fato, mas não dos detalhes. Espero, sinceramente, que Caco conte bem essa história. A Lista de Schindler brasileira?

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