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Grandes cenas definidoras de nossa identidade – Cacá Diegues na master class de Silvia Oroz

Luiz Carlos Merten

10 de setembro de 2017 | 09h48

Foi lindo! Não éramos tantos, mas havia um público razoável para num sábado de sol, temperatura de 34 graus, nos reunirmos para a master class de Silvia Oroz no Belas Artes. Para mim, foi emocionante rever as cenas dos filmes que Silvia escolheu para apoiar (será a palavra?) sua fala. Ela começou com o retrato de uma geração utópica, que queria mudar o Brasil, o mundo e fez do cinema a sua ferramenta para a transformação. E vieram as cenas – Antonio Pitanga introduzindo, brechtianamente, a ‘grande cidade’; Mário Lago numa conversa palaciana, no seu palácio do café, conspirando em Os Herdeiros; os artistas mambembes (Chico, Nara Leão e Maria Bethânia) em Quando o Carnaval Chegar; Jeanne Moreau cavalgando no lombo de Eliezer Gomes em Joanna Francesa – e eu chorei com a morte da personagem, um dos grandes momentos da história do cinema -; a euforia de Zezé Motta, tirando a roupa e mostrando o corpo para escravizar Walmor Chagas em Xica da Silva; a cena íntima de Miriam Pires e Jofre Soares em Chuvas de Verão; a despedida em Bye Bye Brasil, quando Ciço diz que não vai acompanhar Lorde Cigano e Salomé e José Wilker tem sua fala imortal sobre o Y da Rólidei (‘Como a gente era ignorante escrevendo com i’). Não deu tempo de seguir vendo as cenas, mas eu teria ficado ali durante horas, revisitando as imagens de Cacá e ouvindo a Sílvia, em seu portunhol, explicar como os filmes dele espelham o Brasil. À noite, jantei no Almodóvar, o robalo grelhado com tomate de fideuá, uma delícia. Certos dias passam perfeitos. Dib Carneiro fez um programa duplo no CineSala, emendando Como Nossos Pais com Bingo. Havia muita gente no filme de Laís Bodanzky, que está sendo um sucesso, pouquíssima no Bingo. Dib é mais um a tentar me convencer que Bingo é um grande filme e o palhaço, um grande personagem. Ambos os filmes integram a lista dos 23 que concorrem à pré-indicação do Brasil para disputar o Oscar. Não sei como a comissão, que se reúne dia 15 na sede da Cinemateca Brasileira, aqui em São Paulo, vai fazer. Inscreveram-se documentários, e há uma competição exclusiva da categoria. Estou achando um ano difícil. Os filmes de ficção de que mais gosto, como Corpo Elétrico, não têm ‘cara’ de Oscar, mas f…-se, poderíamos tentar arrombar as portas da Academia. Paradoxalmente, mesmo não gostando de Bingo, acho que tem cara de Oscar. Bozo é um personagem dos gringos, Daniel Rezende já concorreu ao Oscar de montagem, Vladimir Brichta está espetacular e o garoto que faz o filho é ótimo. Essas coisas somam. Estou curioso para ver qual será nossa próxima tentativa no prêmio da Academia.

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