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Grande!

Luiz Carlos Merten

28 de dezembro de 2012 | 08h44

Havia tentado rever ‘O Hobbit’ no Imax do Shopping JK Iguatemi na quarta-feira à tarde. Não consegui. Todas as sessões estavam lotadas – ingressos comprados antecipadamente, pela internet. Compramos, meu amigo Dib Carneiro e eu, para ontem, às 15 horas. Ele não é muito chegado ao universo fantástico de JRR Tolkien. O filho dele, Heitor, é – e achou ‘O Hobbit’ um grande filme. Heitor é duro na queda. Pior que crítico da ‘Folha’. Vê defeito em tudo. Dib rendeu-se ao duo Peter Jackson/JRR. Achou o filme grandioso e entrou no clima em toda a extraordinária hora final. Aquilo é a glória. Tolkien era um erudito que dedicou a vida à criação de uma saga erudita. Assimilou lendas celtas, integrou elementos de outras (e altas) culturas. Homero, com certeza, foi um de seus farois. Peter Jackson, por sua vez, que era jovem ao ler ‘O Senhor dos Aneis’, dedicou a vida dele à recriação do universo de Tolkien na tela. Se o escritor tinha Homero como bússola, Jackson também tem seu Homero, o de Hollywood, John Ford. Existem coisas, em Jackson, que me deixam pirado. A construção do olhar, a linguagem silenciosa, puramente mental, entre Gandalf e Galadriel, o encontro do bolseiro com o Gollum, genial Andy Serkis, quando Bilbo se apossa do anel. Mas tem uma coisa mais. Um olhar particular. Como é que o diretor viu no moreno e franzino Orlando Bloom aquele elfo loiro e apolínio? No livro oficial de ‘O Hobbit’ – comprei em Nova York –, há uma entrevista com Richard Armitage, que faz Thorin. O cara tem dois metros de altura. Peter Jackson faz dele um anão. Quando soube para qual papel seria testado, Armitage pensou consigo mesmo – ‘Devem estar brincando.’ Jackson ‘comprimiu-o’, digitalmente. O diretor sabia que precisava de um gigante para expressar o que está preso no interior atormentado de Thorin. Lembrei-me de John Huston, ao contratar um herói, Audie Murphy – o soldado norteamericano mais condecorado na 2.ª Guerra –, para fazer o desertor de de ‘A Glória de Um Covarde’, que adaptou de Stephen Crane. Huston dizia que só um homem muito corajoso poderia entender e expressar o medo que corroi a alma do covarde. ‘O Hobbit’ me remete a Huston, ‘The Red Badge of Courage’, como Stephen Crane é indissociável, no meu imaginário, de Joseph Conrad e ‘Lord Jim’, outro covarde, que passa a vida perseguido pela má consciência e se redime morrendo com honra. Mal posso esperar para ver ‘O Hobbit’ pela quarta vez, a quinta, a sexta…

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