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Gramado 8/Pais, mães e filhos

Luiz Carlos Merten

31 de agosto de 2016 | 18h11

GRAMADO – Uma das boas novidades do festival neste ano é que está celebrando parcerias. E além do Sundance, tivemos há pouco um filme da República Checa, Assistência Domiciliar, de Slavek Horák. Gostei bastante. O filme é sobre uma enfermeira que presta assistência a enfermos, na casa deles. Tem problemas com o marido, a filha. E aí sua existência metódica vira de pernas pro ar quando ela descobre que está com câncer, metástese. Meio ano de vida. O que faz? Busca formas alternativas de medicina, que podem não reverter o câncer, mas fazem uma revolução na vida dela, que se reaproxima da filha e do próprio marido. Não creio que seja pela idade – eu também preciso acertar minhas contas antes que seja tarde, falo das afetivas, que são as que importam -, mas é o tipo de tema que mexe comigo. Está no concorrente paraguaio, Guaraní, de Luis Zorraquín. E me fez gostar da entrega do prêmio Eduardo Abelim a Liz Vamp, que veio representando o pai, José Mojica Marins. Liz é performer e paramentou-se como vampira, com séquito e tudo, para a longa travessia do tapete vermelho. Estava achando over, e foi over, mas tudo ficou perdoado (para mim) com as palavras de Liz sobre o pai, lembrando como o criador de Zé do Caixão foi incompreendido no Brasil e que é bom que esteja recebendo essa homenagem em vida. Não sou o maior fã do Mojica, mas me toquei. Fiquei comovido. Foram palavras carinhosas de uma filha. Quero crer que Lúcia, minha filha, tenha esse carinho por mim.

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