As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Gramado 7/Quem é esse cara?

Luiz Carlos Merten

31 de agosto de 2016 | 10h46

GRAMADO – Meu amigo Rodrigo Fonseca, que adora me provocar, soprou no meu ouvido que não entendi nada, mas a melhor cena desse festival é a de Paulo Tiefenthaler tomando seu chocolatinho na Jules Rimet em A Taça É Nossa, comédia de Caíto Ortiz que integra a competição brasileira. Há um culto a Paulo, o ator, que apresentava o Larica Total no Canal Brasil. Se eu disser que nunca vi vai parecer antipático, mas é a verdade. E agora a minha provocação. Para o meu gosto pessoal, Desvios, longa gaúcho de Pedro Guindani que vi ontem à tarde no Palácio dos Festivais, estaria na competição brasileira, poderia ser até no lugar de A Taça É Nossa, sorry. No final da sessão, falei rapidamente com o diretor. O letreiro informa que ele gravou Desvios em setembro/outubro de 2013, portanto há três anos. O restante do tempo foi consumido em busca de recursos para finalização. Marco Dutra, e eu gostei bastante de O Silêncio do Céu, que se cuide. Guindani reabre a vertente do cinema de gênero, o thriller. O produtor Rodrigo Teixeira bem poderia dar uma olhada no filme gaúcho e, quem sabe, apadrinhar o Pedro. O filme é sobre um cara que participa de um golpe com o primo e precisa se esconder. Isola-se num apartamento, que vira personagem, como o de Clara. Só que, ao contrário do da heroína de Aquarius, que tem história (o apartamento) e é habitado por objetos e memórias que devem sustentar a luta da protagonista, o de Desvios é vazio. Lembrei-me de Nunca Fomos tão Felizes, sem os suntuosos movimentos de câmera de Murilo Salles, que evocam a mise-en-scène de Joseph Losey. Pedro Guindani constrói sua direção de outra forma. O concreto vai se tornando abstrato. O comportamento de Daniel, o protagonista, torna-se obsessivo. Ele vai perdendo pé da realidade. Gostei – muito. Posso ter sido o único. Os coleguinhas que viram o filme desdenharam. Só posso falar por mim, hélas. Mas se o filme estivesse na competição, meu Kikito de ator, como o de atriz, para Andréia Horta (de Elis), já teria dono. Seria do Rafael Mentges, que faz Daniel. Que que é esse cara? Reformulando – quem é esse cara? Bom demais.

Tendências: