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Gramado (7) – O intervalo

Luiz Carlos Merten

12 de agosto de 2014 | 01h17

GRAMADO – Fui arrancado de uma sessão do festival – e de um filme que queria ver, o documentário (Janeiro 27) sobre a tragédia da boate Kiss, de Santa Maria – para escrever um texto sobre a morte de Robin Williams. Como? Não sei direito as circunstâncias, porque alguém, na redação do Estado, fez o factual e o que me foi pedido foi uma análise. Lembrei-me, como um raio, do que disse Arnaldo Jabor, acho que quando Robin Williams ganhou seu Oscar de coadjuvante (por Gênio Indomável). Ele seria o falso bom ator. Não concordo. Robin Williams exercitou-se em todas as mídias. Teatro, cinema e TV. Fez stand-up. Seus recursos de dublador, e imitador, eram inesgotáveis. E ele criou personagens inesquecíveis em Bom-Dia, Vietnã e Sociedade dos Poetas Mortos. para citar apenas dois filmes. E, embora tenha virado um emblema de cinema familiar e bons sentimentos, vivia o inferno fora das tela, como bêbado e drogado. Nada a ver, mas lembrei-me agora de Rodrigo Santoro. Muito emocionado, ele subiu ao palco do Palácio dos Festivais para receber, no sábado, o Prêmio Cidade de Gramado. No pódio, brincou – ‘Não tem script para mim.’ Não houve um script para segurar Robin Williams na vida. Foram tantos papeis. Tantos bons filmes. Triste, triste.

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