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Gramado (3)

Luiz Carlos Merten

09 de agosto de 2014 | 15h16

GRAMADO – Vou começar o post sobre o festival de cinema por linhas (meio) tortas. Aguinaldo Silva não precisa do meu elogio, mas eu vou fazer, e nem é um elogio incondicional. Mas a abertura, os três ou quatro primeiros capítulos de Império, foi a melhor coisa que vi na TV desde… João Emanuel Carneiro? Não sou noveleiro de plantão, mas gosto de ver os capítulos iniciais, não de todas as novelas, é verdade. Nunca tive muita paciência com Manoel Carlos e suas grandes causas sociais, até porque ele nunca as colocou no primeiro plano de suas novelas, localizando-as em tramas paralelas. Walcyr Carrasco quebrou o tabu do primeiro beijo gay e até fez com que o público torcesse por ele, e era o nó górdio de sua trama. Não achei o começo de Império apenas bem escrito, aquela forma de usar os códigos do melodrama. O que me deixou siderado foi a química da dupla Chay Suede/Vanessa Giácomo. Que que eram aqueles dois? Combustão pura. Já conhecia Vanessa (ao vivo) de sets de filmagens, mas nunca a vida daquele jeito. E o Chay, sem viadagem, é tudo. Alguma coisa se passava na tela com os dois. Por mais que admire Lília Cabral, quando entraram o Alexandre Nero e ela Império voltou a ser uma novela padrão. Perdi imediatamente o interesse e nunca mais vi. Mas ontem ocorreu uma coisa curiosa. Cheguei a Gramado e passei no hotel para depositar as malas e almoçar. Estava passando Cobras & Lagartos no Vale a Pena Ver de Novo. João Emanuel Carneiro, o poderoso. Na época, houve réplica e tréplica, porque ele teria se apropriado de um tema de Walter Salles, com quem trabalhara em Central do Brasil. O motoboy se envolve com a pobre (no sentido de carente) menina rica. Daniel de Oliveira e Mariana Ximenes. Revi as cenas dos dois, na praia, quando ela cede à fascinação do garoto e depois recua. Saíam chispas dos dois na tela. A mesma impressão/sensação que tive vendo Chay e Vanessa. Por que estou escrevendo isso? Daniel Oliveira está aqui. Veio apresentar o filme de Vicente Ferraz, que terá sessão hoje à noite. Estrada não lembro o número. A FEB na Itália. Encontrei hoje Daniel no restaurante (com a linda) Sophie Charlotte, mais Júlio Andrade com a mulher, que também estão aqui. Júlio e o irmão, que fazem o Paulo Coelho em Não Pare na Estrada. Júlio estava sendo em frente ao restaurante. As pessoas que passavam o reconheciam. Ele chegou à Globo, e em alto estilo. Osvaldo, seu personagem em O Rebu, teve ontem sua grande cena. O esquizofrênico que não tomou seu medicamento passa a novela surtado. Ele ontem, ele reagiu à polícia com um sequestro. Um passante disse a frase emblemática – Bah, tchê, ele é bom demais como aquele xarope. Um festival de cinema não se faz só de cinema e, talvez, para o público, esses encontros, mesmo fortuitos, com atores talvez contem mais. Juliana Paes reinou hoje no debate de A Despedida. Conversava depois com Renata Boldrini. Esse filme vai ser um divisor na carreira dela. E vê-la falar com paixão sobre o despudor da sua personagem me encheu a alma. Depois disso, só me resta esperar que Senhores da Guerra, de Tabajara Ruas, o mais fordiano dos diretores brasileiros, seja bom, hoje à noite, como espero que seja.

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