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Gramado!

Luiz Carlos Merten

10 de agosto de 2013 | 10h59

GRAMADO – Cá estou, desde ontem, para o 41.º Festival de Cinema Latino e Brasileiro. Passei por Porto Alegre na quinta. Tinha as matérias de sexta do Caderno 2. À noite, fui rever Tese sobre Um Homicidio e minha amiga Walkiria Barbosa, da Total Entertenmaint, parceira de Daniel Burman em três novos projetos do argentino – Burman é coprodutor do thriller com Ricardo Darín – me informou que está em andamento uma tentativa de transformar o filme (bom) em série de TV, o que acharia ótimo, porque o jogo de gato e rato entre os protagonistas é bem intrigante. Ontem tinha matéria – para domingo,. a entrevista com Miranda Otto, a quem encontrei no Rio, por Flores Raras -, almocei com minha filha e ex (Lúcia estava em Porto) e iniciei a subida da serra. Com chuva, frio e neblina, o trânsito fica mais difícil. Cheguei à noite e, até deixar minhas coisas no hotel, foi um Deus nos acuda, tudo muito demorado e difícil, e eu me molhando, molhando… Mas consegui rever Flores Raras, o que foi bom para mim, mas não tanto para o filme. Continuo gostando de algumas coisas, descobri outras que me haviam passado despercebidas – porque a mise-en-scène de Bruno tem sua inteligência -, mas continuo não gostando do filme como um todo e a parte final, essencialmente melodramática, é a que me desagrada por completo. Aquela vaca da Mary… É interessante constatar, mas o que as love stories gays nos mostram é que gays e sapas reproduzem o modelo hetero sem tirar nem por. Não há mais mudança de gênero como nos tempos heroicos de um Jean Genet, ou de um Pier Paolo Pasolini, que viam na própria sexualidade exercícios de transgressão. Hoje, não. Somos, sim,  iguais a todo mundo, é o novo discurso. Bruno Barreto diz que o filme dele é sobre perda, e eu pensei com meus botões – se o dele versa sobre isso,. Círculo de Fogo, de Guillermo Del Toro, do qual também não gostei tanto – mas amei a dupla formada pelo piloto e pela japinha -, é sobre o quê? É sobre o oposto da perda, a restauração. Enfim, tergiverso. A chuva não para. Estou num hotel próximo do c… do mundo,  a 4 km do Centro de Gramado, no meio do mato. O caminho para cá foi uma paisagem na neblina, sem Theo Angelopoulos. Não sei direito qual é a programação, mas tenho a impressão de que o longa brasileiro, à noite, é Éden, de Bruno Safadi, com Leandra Leal, do qual, este sim, gosto muito. Vou fazer uma pausa. volto daqui a pouco para falar…. de spaghetti western.

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