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Gramado (2)

Luiz Carlos Merten

09 de agosto de 2014 | 10h36

GRAMADO – Hélio Nascimento fez um comentário interessante – ‘Que que fizeram com teu blog, tchê?’ Eu mesmo tenho dificuldades para encontrá-lo na nova formatação. Sou finalista ao prêmio Comunique-se, de novo!, e pelo blog, mas outro dia me ligou alguém ligado ao prêmio para perguntar se o blog ainda estava ativo. Se até eles, que me selecionaram, estão com dificuldades… Isso não é bom sinal. O festival começou ontem com uma homenagem a José Wilker, seu ex-curador na formação que inclui Rubens Ewald Filho e Marcos Santuário. Wilker foi substituído pela argentina Eva Piwowarski na curadoria. No especial do Canal Brasil, foi pinçada uma frase que ele repetia, e que foi motivo de muitas discussões nossas, porque revíamos muito os filmes. Eu ainda revejo. E o Zé dizia que os filmes são como pessoas. Nascem, crescem, morrem, mas, eventualmente, nas revisões alguns se eternizam. José Wilker é ator em Isolados, de Tomás Portella, uma participação pequena. O filme foi escrito por sua filha e os protagonistas são Bruno Gagliasso e Regiane Alves. Cinema de gênero – terror. Um casal isolado numa casa e, na mata vizinha, dois malucos que nunca vemos estão estuprando e matando. Confesso, sorry Bruno, sorry Portella, que achei o filme horroroso, embora o plano-sequência inicial seja bom (e angustiante) e algumas ideias tenham me parecido interessantes (a faca que Bruno usa supostamente para defesa). Vou falar daqui a pouco com o diretor e o elenco, e saberei se O Iluminado foi, como presumo, a grande referência do diretor. Não é um elogio,  mas vendo o filme do Portella entendi porque tanta gente detesta o de Stanley Kubrick, inclusive o autor do livro, Stephen King. Muita gente acha que Jack Nicholson já começa o filme louco no último e isso destrói a estrutura dramática. Bruno, pobre, também é louquinho de pedra, mas vamos ver como reage o público. Isolados estreia em 18 de setembro. Na sequência, ainda aturdido pelos efeitos sonoros e visuais que tentam provocar o medo em Isolados, ingressei no universo de A Despedida, e não sem temor. Não gosto de Colegas e acho que nem escrevi sobre o filme, ou pelo menos não entrevistei o diretor Marcelo Galvão. Não sabia uma coisa que ele disse no palco. Marcelo só conta as histórias que sabe. Colegas inspira-se em seu tio. A Despedida, em seu avô. O filme é Amor sem a misantropia de Michael Haneke, e com sexo. Melhor, portanto. Nelson Xavier tem uma interpretação antológica como o velho mijão que sente que está morrendo e se dá um último prazer. Reencontra Morena, a ex-amante mais jovem (muito mais jovem). Nelson é ótimo, mas o que faz a diferença, ou fez para mim, em A Despedida, foram (duas coisas) a Morena de Juliana Paes e o velho Lupi, Lupicínio Rodrigues na trilha, com Esses Moços. Há 40 anos, acho que Marcelo Galvão não era nascido, Bruno Barreto já havia usado Esses Moços na voz de Leniza Mayer, Betty Faria. Ah, se eles (esses moços!) soubessem o que eu sei. Envelhecer não é o problema, diz Almirante, o personagem de Nelson Xavier. O problema é como fomos jovens. Com o dedo e a língua, nenhuma mulher mete medo nesse velho indomado e indomável, mas a diferença foi a frase de Juliana (tão despudorada quanto bela) quando Almirante se desculpa por haver mijado na cama. É sublime. Covardia – Nelson, Juliana e Lupicínio. O festival começou, e já tento acreditar no que escrevi no abre de minha matéria no Caderno 2. Havia tentado entrevistar Rubens Ewald, deixei recados no celular, ele não retornou. Queria uma frase dele sobre a seleção, e talvez alguma comparação com a seleção de Paulínia, que ele também fez. Googlei – o nome dele + coletiva de lançamento. Se era coletiva, ele teria dito para todo o mundo. Usei uma frase, citando que era da coletiva. Aspas – ‘É a melhor seleção dos últimos anos.’ Descobri, sorry, que foi licença poética de quem reportou. Rubinho jurou que não disse isso. Mas 1 a 0 na primeira noite não foi tão mal.

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