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Gramado (1)

Luiz Carlos Merten

09 de agosto de 2014 | 09h47

GRAMADO – Cá estou, de novo, para a cobertura de mais um festival. Passei mais da metade dessas 42 edições longe. Cobri algumas edições alternadas no começo e, depois, acho que só retomei a cobertura no fim dos anos 1990 ou início dos 2000. Passei o dia ontem viajando. Cheguei cedinho no aeroporto de Guarulhos – meu voo era às 8h10 -, mas como estaria viajando corri atrás de telefone para gravar a participação na rádio. Terminei perdendo o voo, com a carta de embarque na mão. Aí, foi a complicação de remarcar, esperar. Cheguei no meio da tarde. Tinha matérias para a edição e um texto que espero que tenha ido para o portal, sobre as exibições, ontem e hoje, de O Encouraçado Potemkin  – que minha colega Regina Cavalcanti chama de ‘Polenguinho’ -, no canal Arté 1. Os sete minutos mais influentes do cinema, segundo Eric Hobsbaum. Mas a escadaria de Odessa não causa mais tanto frisson. Em votações recentes, o cult de Sergei. M. Eisenstein e Cidadão Kane, de Orson Welles, deixaram de liderar as listas de melhores filmes de todos os tempos. Alternavam-se, durante décadas. Potiônkin, como dizem os puristas, surgiu como peça de propaganda, para comemorar os 20 anos dos levantes de Odessa, que pavimentaram a via para a revolução russa. A montagem de atrações de Eisenstein até hoje inspira noticiários de TV e peças publicitárias, mas duvido que os estudiosos da obra do grande russo reconheçam o segundo item. Chega de Eisenstein. Reencontrei ontem amigos no Palácio dos Festivais. Hélio Nascimento, Enéas de Souza, que integra o júri de longas brasileiros. Conversei com o primeiro sobre Giuliano Gemma e Duccio Tessari, Os Filhos do Trovão. Quem nunca viu os Titãs invadirem aquela praia ao som do hino dos marines norte-americanos não sabe o que é a aventura no cinema. Crios, o personagem de Giuliano, e seus irmãos. Com Enéas, ressuscitei Riccardo Freda e Vittorio Cottafavi. Com quem mais conversar sobre essa gente que esculpiu o meu, e imagino o nosso, imaginário? Quantos espectadores jovens conhecem Brett Halsey como o magnífico aventureiro Benvenutto Cellini? Ou o mesmo Brett Halsey em As Sete Espadas do Vingador? Tergiverso, sei. Mas queria abrir minha cobertura de Gramado 2014 no blog com esses devaneios de velho. A partir do próximo post, é para valer.

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