As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Graças a Deus!’ (foi o que me disse Michelle Pfeiffer)

Luiz Carlos Merten

11 de fevereiro de 2009 | 17h39

BERLIM – Perdi minha entrevisdta com Gus Vant – talvez haja um jeito de recuperá-la amanhã -, mas não tinha escolha. Batia com o horário de ‘Garapa’ e eu não ia perrder o documentário de José Padilha no Panorama Dokumenta. Antes disso, participei da junkett de ‘Chéri’, entrevistando o diretor Stephen Frears, o roteirista (e dramaturgo) Christopher Hampton, o ator Rupert Friend e, claro, Michelle Pfeiffer. Já disse que gostei do filme adaptado do romance de Colette e gostei mais ainda depois das entrevistas. Frears e Hampton foram ótimos, e com o segundo tive oportunidade de conversar sobre ‘Esplendor e Decadência das Cortesãs’, de Balzac, que ele admitiu ser um livro fundamental (e disse que o ajudou a compreender esse universo). Quando lhe perguntei se conhecia o livro editado pela L&PM, ele retrucou – como não? E contou uma história que não conhecia. Perguntaram certa vez a Oscar Wuilde qual o dia mais triste de sua vida. Vocês sabem tudo o que aconteceu com o autor de ‘O Retrato de Dorian Gray’, mas o dia mais triste, segundo o próprio, nãzo estava ligado a nenhum dos acontecimentos trágicos que o levaram à cadeia, mas à morte de Lucien de Rubempré, o personagem balzaqueano de ‘Ilusões Perdidas’ e ‘Esplendor e Decadência…’. Só Frears e Hampton já me teriam bastado, pelo teor da conversa, mas houve também Michelle. A ewntrevista não era individual, mas de grupo, um grupo até não muito grande – cinco pessoas -, considerando-se a estrela (e o filme). Sentei-me bem em frente dela. Um cara, um jornalista grego, perguntou se ela tinha consciência do impacto que causava nas pessoas. Michelle desconversou, disse que não e acrescentou que ícones capazes de provocar impacto são Robert De Niro, Al Pacino e Meryl (a Streep, naturalmente). Fiquei mudo vendo aquela mulher falar. Ela é linda, quase não usa maquiagem e nãso fez plástica, nãop usa botox, nada desses artifícios. Exibe suas rugas – tem 51 anos – como parte do que parece ser uma história bem vivida. Fiquei mais ou menos a metade da entrevista calado, enquanto o restante do grupo se calava. De repente, pulei e disse que queria perguntar. Ela foi maravilhosa – ‘Graças a Deus! Pensei que você ia ficar só me devorando com os olhos.” O grupo riu. Eu desembestei a falar e emendei uma pergunta na outra. Estava na quarta e ia fazer mais uma quando uma jornalista australiana brincou – ‘Chega! É melhor voltar a ficar calado, só admirando.’ Foi uma entrevista ótima. Parte dela estará no ‘Caderno 2’ de amanhã. Só para completar o que diz Michelle, ela conta que seu segredo de beleza é simples. Cuida da alimentação e faz exercícios físicos (alongamento). Mas o segredo mesmo é a preguiça. Quando está trabalhando, ela se aplica e entrega. Mas, distante dos sets, seu prazer é o ócio. Que mulher mais linda! Stephen Frears, comentando a Michelle com quem havia trabalhado em ‘Ligações Perigosas’, foi taxativo. ‘Ela continua sendo uma das mulheres mais belas do mundo, mas está 20 anos mais sábia.’ Ganhei meu dia. Daqui a pouco vou ver o filme de Theo Angelopoulos. E, ah sim, na volta fico mais dois dias em Paris, para ver, entre outros filmes, ‘Le Petit Fugitif’.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.