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‘Gonzaga’!

Luiz Carlos Merten

21 de setembro de 2012 | 20h56

Estive pela manhã na redação do ‘Estado. Retomei os posts, fiz o material do dia e corri para a cabine da Paris para assistir a ‘Gonzaga – De Pai para Filho’. Estava louco para ver o filme de Breno Silveira sobre a difícil relação de Luiz Gonzaga, o rei do baião, com seu filho, Gonzaguinha. Entrei no Polo. A cabine estava tão gelada que, mesmo enrolado no casaco, eu sentia que estava piorando. Sabe aquela história do post anterior, de que eu ia me cuidar? Não era verdade. Estava tão ligado no filme que, mesmo respirando com dificuldade, não conseguia desgrudar da imagem, hipnotizado pela simetria audiovisual que Breno criou e pelo fantástico elenco que reuniu. Deus do céu, o que são os atores que fazem Gonzagão nas três fases da vida? O que é o Júlio Andrade, que faz Gonzaguinha? O que é a Nanda Costa, de certa forma retomando a Dama da Noite de Camila Pitanga em Noel – e linda como ela? Brinquei com o Breno. Disse que estava mal e que poderia ter visto meu último filme, mas pelo menos teria sido um bom filme, um belo filme. ‘Gonzaga’ abre o Festival do Rio na semana que vem. Cinemão popular, emoção e música, como Breno gosta. E outra história de pai e filho. De pacificação familiar. Baseado nas fitas de uma entrevista que Gonzaguinha gravou com o pai, o filme busca responder à pergunta que ele se faz no início – quem é esse homem, meu pai? O filme faz, como ficção, a mesma pergunta de Denise Dumont no documentário de Lírio Ferreira sobre Humberto Teixeira, o parceiro de Gonzagão. Quem foram esses homens que cantaram e expressaram o homem comum, o povo brasileiro, e não puderam/souberam resolver suas pendências familiares? Gonzaguinha acusa Gonzaga de abandono. O pai retruca que nada lhe faltou. Nada? Em outra cena, Gonzaguinha atira na cara do velho que é ele, naquele momento, quem precisa de dinheiro, do dinheiro do filho. ‘Você não tem direito de me humilhar assim, grita o pai. Saí transtornado, fiz as matérias que ainda faltavam para domingo e descolei um horário no meu médico, dr. Daniel (da equipe de Drauzio Varela). Daniel desconfia de que meu caso seja agora uma reação alérgica ao mofo, ao pó. Muito cinema, pensa ele. Era o que me faltava. Mas estou em boas mãos. Estou feliz. Tinha tanta expectativa por ‘Gonzaga. Breno está lá. Há outra perda, a da mulher amada, mas ‘Gonzaga’ não é tão marcado pela perda que ele sofreu durante a realização de ‘À Beira do Caminho’. O outro filme era triste. O novo termina na euforia. ‘O Que É, o Que É?’. Depois de ‘Totalmente Inocentes’ e do desfecho do show de DIogo Nogueira em Cuba, de novo o apelo por viver e não ter vergonha de ser feliz.

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