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Golpe 53 e seus desdobramentos no Brasil, em 64, e no Chile, em 73

Luiz Carlos Merten

26 de setembro de 2020 | 11h05

Difícil não lembrar de Um Dia em Setembro, o documentário, em formato de thriller, de Kevin Macdonald sobre o ataque do terror na Olimpíada de Munique, de 1972. Steven Spielberg depois ficcionalizou o episódio no fecho de sua trilogia informal sobre o 11 de Setembro. O Terminal, Guerra dos Mundos e Munique. A premier israelense Golda Meir – mesmo enfrentando nosso pior inimigo não podemos perder o senso de ética, porque senão perderemos a alma. Nunca soube se ela realmente disse isso ou se foi uma liberdade poética de Spielberg, mas assino embaixo. Todas essas lembranças me vêm a propósito de Golpe 53, o documentário do iraniano Taghi Amirani que passa no domingho, às 6 da tarde, na mostra competitiva internacional do É Tudo Verdade. Como o MI16 e a CIA, ou os governos do Reino Unido e dos EUA orquestraram o golpe de 1953 contra o premier Mohammad Mossadegh. A Inglaterra havia construído uma grande refinaria no Irã e não queria perder seu controle sobre o petróleo do país. Mossadegh, esquerdista demais para servir aos interesses imperialistas, foi deposto e condenado ao confinamento. O Xá assumiu o poder e governou como ditador absolutista, como se seu poder fosse divino. O diretor reflete – se Mossadegh, eleito demoraticamente e com apoio popular, tivesse ficado no poder, toda a geopolítica da região poderia ter sido outra. Não teria havido a oposição de Khomeini ao Xá, nem a revolução dos aiatolás. Amirani conta essa história como thriller – quatro dias em agosto de 1953 -, inclusive recorrendo a Ralph Fiennes para dar uma voz a um dos personagens mais secretos de toda essa maquinação política. No final, destaca – o que a CIA fez com Mossadegh repetiu no Brasil contra Jango, no Chile contra Salvador Allende. Gostei demais.

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