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Godard, the best

Luiz Carlos Merten

05 Janeiro 2015 | 09h04

Estávamos ontem no jornal Ubiratan Brasil, Camila Molina, Maria Fernanda Rodrigues e eu. Bira me repassou um link dando conta de que a Associação de Críticos dos EUA anunciou seus melhores do ano passado. A expectativa era de que a Associação indicasse Boyhood, fortalecendo a candidatura do filme de Richard Linklater para o Oscar. A congênere brasileira, mesmo não somando pontos no Oscar, fez isso e, por mais que goste do filme de Linklater, achei excessivo, pop demais que Boyhood e Lobo Atrás da Porta tenham sido melhores do ano passado para a Abraccine. O longa de Fernando Lobo ganhou na categoria de melhor nacional. Sou mais a Associação norte-americana, que premiou Jean-Luc Godard, por seu maravilhoso Adieu au Langage, que revi em Buenos Aires. Ah, sim, mas o Godard não estreou nos cinemas brasileiros, só teve sessões especiais, foi isso. Não gosto dessa divisão entre melhor brasileiro e estrangeiro, que sacramenta uma desigualdade que, eventualmente, é só de mercado, não se refere à estética. Meus melhores dos últimos dois anos na lista do Estado foram brasileiros – São Silvestre, de Lina Chamie, em 2013, e Praia do Futuro, de Karin Ainouz, em 2014. Praia do Futuro terminou sendo o melhor para a APCA, Associação Paulista dos Críticos de Artes, votação da qual não participei, mas assino embaixo, e foi ignorado na Abraccine, em favor do filme de gênero (bom) do Lobo. Gostei que Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, de Daniel Ribeiro, tenha sido indicado pelo Brasil para concorrer ao Oscar – Praia do Futuro não teria chance, gráfico demais na sua abordagem do mundo gay -, mas me pergunto se O Lobo, no limite, não teria tido mais chance. Uma história real, afinal de contas, bem dirigida e interpretada. Poderia ter sido o nosso Segredo dos Seus Olhos, quem sabe? A par do Godard, a Associação de Críticos dos EUA outorgou seu prêmio de direção a Richard Linklater, e eu me pergunto se Boyhood não merece mais o de roteiro, e o de melhor atriz para Marion Cotillard, excepcional no filme dos irmãos Dardenne (Dois Dias e Uma Noite) e no James Gray (Era Uma Vez em Nova York). Esses gringos estão me saindo melhor que a encomenda. Marion deveria ter sido melhor atriz em Cannes no ano passado pelos Dardenne e no anterior pelo Gray, mas os júris de m… preferiram fazer outras escolhas, talvez achando que Marion já tem prêmios demais. Ainda bem que existe a crítica norte-americana. Não é de hoje que tenho falado bem de publicações como Cinema Scope, na linha de frente do cinema de autor mundial.