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Godard, 90 anos

Luiz Carlos Merten

02 de dezembro de 2020 | 11h06

Começa daqui a pouco, 11h35, a homenagem do Telecine Cult aos 90 anos de Jean-Luc Godard. A data é 3 de dezembro, mas o canal se antecipa e rola uma programação de dez títulos que vai avançar pela madrugada. Godard já foi homenageado no Festival Varilux pelos 60 anos de Acossado/À Bout de Souffle, que virou marco da nouvelle vague. Agora, a homenagem amplia-se. Dez filmes! Vão passsar fora da ordem cronológica. Paixão, Eu Vos Saúdo Maria, Uma Mulher Casada, A Chinesa, O Pequeno Soldado, Uma Mulher É Uma Mulher, O Bando à Parte, Week-End à Francesa, Tudo Vai Bem, Salve-se Quem Puder (A Vida). Sinto-me inclinado a dizer que, por mais importante e diversificada que seja essa programação, faltam os ‘meus’ filmes de Godard – Viverr a Vida, O Desprezo e os mais recentes Adeus à Linguagem e Le Livre d’Image (Imagem e Palavra). Lembro-me como Paulo Francis implicava com Godard e sua metalinguagem nos grandes filmes dos anos 1960. Segundo Francis, Godard havia lido a orelha de importantes livros de teoria, enquanto Inngmar Bergman, naquele núcleo que vai de Quando Duas Mulheres Pecam/Persona até A Hora do Lobo e A Paixão de Ana, ainda segundo Francis, havia lido os livros por inteiro. Godard, a linguagem e a política. Poucos autores foram tão importantes no duplo movimento de refletir sobre o mundfo e o papel do espectador na cadeia produtiva o cinema. Em 2011, Godard ganhou um Oscar especial da Academia – que não foi receber. Palma de Ouro, ganhou só honorária, mas o festivasl de Cannes homrenageou-o duas vezes, em anos recentes, com cartazes inspirados em seus filmes emblemáticos – O Desprezo (2016) e Pierrot le Fou/O Demônio das Onze Horas (2018). O mais interessante – encontrei numa Cashiers antiga uma entrevista em que Godard reflete sobre as novas tecnologias. Lá pelas tantas ele diz que nunca entendeu o culto a Le Mépris. Diz que o filme tem ‘faiblesses’. Sorry, mon cher Godard, mas se essas fraquezas existem fazem parte do mistério do filme.