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Giallo, western, sci-fi, Melville… A Versátil armou uma festa para cinéfilos!

Luiz Carlos Merten

10 de novembro de 2015 | 10h27

Recebi os lançamentos do mês da Versátil, as novas caixas. Western, ficção científica, Jean Pierre Melville e Dario Argento. Confesso que não sou o maior admirador do pai de Asia no mundo, e a caixa com quatro gialli de Dario traz seus três primeiros, com nomes de bichos, O Pássaro das Plumas de Cristal, O Gato de Sete Caudas e Quatro Moscas sobre Veludo Azul, mais Terror na Ópera e, avulso, o Phenomena. Embora não seja louco por nenhum, a trilha heavy de Phenomena é bem barulhenta, com Iron Maiden e Motorhead, e quase todos os filmes têm elencos muito interessantes, com figuras que enriqueceram meu imaginário nos anos 1960 e 70. Tony Musante, Suzy Kendall, Enrico Maria Salerno, James Franciscus, Donald Pleasence, Mimsy Farmer, Jennifer Connelly (essa já é dos 80), Catherine Spaak. Catherine Spaak! Filha de Charles Spaak, roteirista dos maiores filmes de Jacques Feyder e Jean Renoir, Catherine virou uma estrela adolescente na Itália, interpretando uma quantidade incrível de filmes dos 15 aos 18 anos e, depois, se firmando também como cantora. Fez filmes de Alberto Lattuada, que sempre teve fixação por Lolitas (Amantes e Adolescentes/I Dolci Inganni), Dino Risi (Aquele Que Sabe Viver), Mario Monicelli (O Incrível Exército de Brancaleone) e todos pertencem à histórias, mas confesso que tenho uma queda por La Calda Vita/Vidas Ardentes, que ela fez com Florestano Vancini, um diretor muito respeitado na Itália, na época, mas que nunca foi um valor muito forte para ‘exportação’, infelizmente. Segui todas uma fase da carreira dele. A Noite do Massacre, La Banda Casaroli, Enquanto Durou o Nosso Amor, I Fatti di Bronti, sobre a brutal repressão das força de Garibaldi aos conflitos sociais na Sicília, na época da unificação, O Delito Matteoti. De volta a Catherine Spaak, seu maior sucesso como cantora talvez tenha sido L’Esercito del Surf, que teve versão brasileira com Wanderléa (‘Nós somos jovens…’). A caixa de sci-fi tem filmes de David Cronenberg (Scanners), Roger Corman (O Homem dos Olhos de Raio X) e Christian Nyby (O Monstro do Ártico,. versão original de O Enigma do Outro Mundo, de John Carpenter, que teve supervisão, O Monstro, de Howard Hawks), mas os meus preferidos do pacote são No Mundo de 2020, de Richard Fleischer, sobre a devastada Terra do futuro, em que falta alimento e Charlton Heston descobre a verdade sobre a ração, Soylent Green, que é servida à pobre humanidade, e Robinson Crusoé em Marte, de Byron Haskin, que o Ridley Scott pode nem confessar, mas com certeza foi uma influência para Perdido em Marte. O curioso é que, em 1964, Haskin já especulava sobre a existência de água (e ar) no chamado planeta vermelho, coisa que escapou ao irmão de Tony Scott. Esse Byron Haskin não era mole. Fez filmes noir, influenciou Steven Spielberg (Guerra dos Mundos e o ataque das formigas de Indiana Jones e a Caveira de Cristal, que já estava em Selva Nua) etc. Prosseguindo com as caixas da Versátil, chegamos à de Jean-Pierre Melville, cineasta do qual me lembrei muito ao redigir os textos sobre os 80 anos de Alain Delon, no domingo, 8. Melville deu a Delon um de seus papéis emblemáticos, com o Rocco de Luchino Visconti e o Tom Ripley de O Sol por Testemunha, de René Clément, e foi o do matador de O Samurai. Na caixa, tem outro Delon, O Círculo Vermelho, com Bourvil, Gian-Maria Volontè e Yves Montand, a homenagem do mais americano dos grandes autores franceses ao cinema hollywoodiano de gênero (os filmes de assalto). E deixo para o final a caixa de western, o meu gênero do coração, com filmes de John Ford (Caravana de Bravos), Budd Boetticher (O Resgate do Pistoleiro), Raoul Walsh (Golpe de Misericórdia), Samuel Fuller (Renegando o Meu Sangue) e dois de Jacques Tourneur (Choque de Ódios/Wichita e O Testamento de Deus. Vou voltar a todas essas caixas e filmes. Ao western, em especial. O Natal vai chegando e qualquer dessas caixas seria (será?) um sonho de cinéfilo.

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