Futilidade da guerra
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Futilidade da guerra

Luiz Carlos Merten

06 de fevereiro de 2014 | 21h51

BERLIM – Após a deliciosa comédia de Wes Anderson embalada no humanismo do escritor Stefan Zweig, a Berlinale começou para valer com 71, longa que o francês – radicado na Inglaterra – Yann Demange fez sobre a explosiva situação na Irlanda do Norte no ano do título. O cinema já abordou várias vezes o assunto, mas nunca dessa maneira. Em geral, os diretores tomam partido – contra a repressão dos brits (britânicos). Demange conta a história de um soldado que não sabe dizer se é católico ou protestante, mas testemunha o que não deve – a participação de integrantes encobertos das forças especiais inglesas na escalada do conflito – e passa a ser caçado por todo o mundo. A trama tem tantas peripécias absurdas que só pode ser verdadeira – nenhum roteirista iria inventar aquela loucura toda que Demange, formado na escolas do documentário musical, filma com verismo visceral. Assisti ao filme com André Miranda e Mariane Morisawa e ela, do meu lado, não me aguentava mais ver pular na poltrona. O filme é sobre a futilidade – o horror – da guerra. Não existem heróis e cada movimento violento desencadeias outro, mais violento ainda. as pessoas vão morrendo – atingidas por tiros ou destroçadas por bombas, plantadas pelos que deviam ser os legalistas, mas conseguem ser mais terroristas ainda. A impressão que me deu – pela urgência, o tom jornalístico – foi a de ser um filme de Sam Fuller, com seus heróis cujo partido é a sobrevivência. Os coleguinhas não gostaram muito, mas eu fiquei impactado e o ator, que presumo que seja Jack O’Connell – é o primeiro nome do elenco -, me pareceu muito bom, passando a dureza da perda das ilusões.

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