As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Franciscos

Luiz Carlos Merten

02 Dezembro 2018 | 11h31

Um deles poderia ser o Francisquinho, filho de João Luiz Sampaio e Maria Fernanda Rodrigues. Lembrei-me muito, no final de semana passado, quando estava no Rio, de Tadeu Carneiro, irmão do Dib. Havia, no Museu Nacional de Belas Artes, uma exposição, em parceria com instituições da Itália, sobre a representação de São Francisco de Assis na pintura italiana dos séculos 15, 16 e 17. O que isso tem a ver com o Tadeu? Ele possui uma (singela) coleção de São Franciscos, no plural. Nenhum é peça rara, mas são esculturas de tamanhos e procedências variados, e algumas muito belas. A exposição no Rio inclui uma viagem virtual pela Basílica Superior de Assisi, com direito a ver os quadros de Giotto. São Francisco na Arte dos Mestres Italianos traz 20 pinturas da Itália e uma de Nova York, pertencente a uma coleção particular. São Francisco na visão de Perugino, Guido Reni e Tiziano. San Francesco riceve le stimmate, as chagas de Cristo, San Francesco sorretto da un angelo, San Francesco confortato da un angelo musicante, etc. Confesso que nenhuma pintura me impressionou tanto quanto a representação do santo num quadro de Guercino – Giovanni Francesco Barbieri, grande pintor barroco da Emilia Romanha -, em que o olho tem um brilho (uma lágrima?) que me deixou paralisado. Fiquei ali um tempão, vidrado na beleza daquele olho que me desafiava a decifrá-lo como símbolo. Guercino, Il Guercino, é ‘estrábico’. Será…? Sempre houve um culto a Francesco e aos fioretti e talvez eu vá dizer alguma bobagem, não sei, mas creio que se fortaleceu com o sentimento hippie de ver o mundo – make love not war – e com a nova consciência ecológica e ambiental que faz com cada vez mais pessoas se preocupem com a Mãe (Terra). Michael Curtiz (São Francisco de Assis), Pier-Paolo Pasolini (Gaviões e Passarinhos), Franco Zeffirelli (Irmão Sol, Irmã Lua), mas acima de todos Roberto Rossellini, com Francesco, Guillare di Dio, Arauto de Deus, tentaram recriar, no cinema, esse estigma de bondade e tolerância. ‘Onde haja ódio, permiti que eu semeie amor…’ Nunca rezei na cartilha de João Paulo II. Os ‘meus’ papas sempre foram João 23 e agora Francisco, que tem usado sua autoridade moral para investir contra o neoliberalismo e a violência da ultradireita. Esses argentinos são f… Dois Oscars e um papa, ah, mas nós temos Pelé, que é maior que Maradona, afirmação que, com certeza, seria contestada por Emir Kusturica. O atleta do século, sim, mas o ser político, o homem… Tergiverso – como sempre. O que penso é que Tadeu Carneiro, atualmente no MIT, Massachusetts Institute of Technology, nos EUA, adoraria ver, no mesmo espaço, tantos Franciscos a nos falarem de amor e natureza. A exposição no Rio vai até 27 de janeiro.