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Franciscos

Luiz Carlos Merten

19 de fevereiro de 2019 | 22h17

Havia visitado duas vezes, no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio, a exposição em que aquele comunista ancestral, São Francisco de Assis, é representado na arte dos mestres italianos. Visitei em dezembro, gostei tanto que voltei em janeiro. Francesco, o Poverello di Assisi, defensor dos pobres e da natureza – dois crimes inafiançáveis nesse Brasil da era Bolsonaro. Soube agora, por meio da CartaCapital nas bancas – a edição com o Papa Francisco, tachado de comunista, na capa -, que a exposição desembarcou em São Paulo e está, de graça, até 12 de abril, na FAAP. Vejam, por favor. São 15 pinturas dos séculos XV ao XVIII. Três representam a stigmatta, o momento em que São Francisco recebe os estigmas de Cristo. A tela mais famosa é de Ticiano, mas também estão no lote obras de Perugino, Ludovico Cardi, Guido Reni, Orazio Gentileschi. Já disse da emoção profunda que me provocou o Guercino. Lá irei eu de novo à exposição. E quer dizer que o papa, esse outro Francisco, que também defende os pobres e o meio-ambiente e, por isso, convocou um Sínodo sobre a Amazônia, é o novo inimigo desse governo celerado? Lembro-me de, em algum momento, durante o processo eleitoral – e espero não estar reproduzindo fake news -, de ter lido que Marina Le Pen rejeitara qualquer possibilidade de comparação com o nosso quixotesco direitista. Como a poderosa líder da Frente Nacional, guarda-chuva que abriga correntes de extrema-direita e de caráter protecionista, conservador e nacionalista, Marina é xenófoba, crítica do atual governo de Emmanuel Macron e de sua política econômica neoliberal, mas não a vejo agitar o fantasma do comunismo. Comunista comedor de criancinha? Isso é tão pré-histórico que só mesmo trogloditas brasileiros ainda abraçam a ideia. Mme. Le Pen é mulher e não deve ter engolido as ofensas de ‘Jairzinho’ – não, meu Deus, Jairzinho, o mítico, esse sim, jogador, fica fora dessa – a seu gênero, mas o que difere os dois é que Marina defende a França para os franceses e Bolsonaro o Brasil para os brasileiros, mas só a parte que não interessar aos EUA, he-he.

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