As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

‘Frágil serenidade e feroz intensidade’, o mistério de Sonia (Braga)

Luiz Carlos Merten

06 Novembro 2016 | 22h25

Comprei ontem nas banca da Av. Paulista – Conjunto Nacional – a Film Comment de setembro/outubro. Film Comment é uma publicação da Film Society do LiIncoln Center. Na capa, Marten Ade, ‘diretora da comédia revolucionária Tony Erdmann’. Tremo só de pensar que, eventualmente, ao rever o filme, eu possa me render à evidência e, apesar daquele pai, que é tudo que eu não gostaria de ser, termine gostando de Toni Erdmann. É uma unanimidade tão grande. Não é estar sozinho que me desagrada, ou intimida. É a ideia de ter perdido o bonde. Só en passant. Entrevistei Maren em Cannes. É uma mulher linda. A foto da capa lhe faz justiça. Abro a revista e, de cara, numa sessão chamada’Release Me’, Distribua-me, tem um texto, editorial?, conclamando alguma Vitrine de lá – quem será a Sílvia Cruz de Nova York? – a distribuir o longa de Terence Davies que vi e amei no Rio, A Quiet Passion, Uma Paixão Tranquila, sobre a poeta (poetisa?) Emily Dickinson. Cynthia Nixon, de Sex and the City, é quem faz o papel. É fora de série, da curva, é genial. Pelo meu voto, Amy Adams, por Animais Noturnos, e ela já estariam finalistas no Oscar, restando encontrar as outras três. O problema é que Uma Paixão Tranquila não tem distribuidor na ‘América’ – nem no Brasil. Socorro! Mais algumas páginas, e depois de passar por Maren Ade, Bertrand Tavernier (Minha Viagem pelo Cinema Francês), Pedro Almodóvar (páginas e páginas de Julieta) e Kirsten Johnson (I Am a Camera, entrevista com a diretora de Cameraperson, presente na repescagem da Mostra), cheguei a…. Aquarius! O longa de Kleber Mendonça Filho é o primeiro da seção The Big Screen, com reviews (críticas) dos ‘notáveis novos filmes que, com sorte, estão estreando perto de você’. Film Comment põe Aquarius nas nuvens. Mas é Sonia Braga quem recebe o maior elogio. “Atingindo uma rara mistura de frágil serenidade e feroz intensidade, Braga representa uma mulher para todas as estações (all seasons), uma ponderada e afetuosa avó como uma dura e sulfurosa guerreira. Ícone do cinema brasileiro, ela se abandona para a câmera de Mendonça Filho com a generosidade e o entusiasmo de uma atriz que esperou a vida inteira por esse papel e, no processo para nos entregar Clara, entrega também sua alma multifacetada e inspirada’. Uau! Sonia no Oscar, pelamor de Deus!