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Filme de horror

Luiz Carlos Merten

28 de outubro de 2013 | 12h59

Tive ontem um encontro muito bacana com Park Chan-wook, mas não quero furar minha entrevista com ele, que sai no Caderno 2 de amanhã. Saí do Renaissance, onde o encontrei, e corri para o Arteplex, para ver o novo Ridley Scott, O Conselheiro do Crime. Gostei, mas, independentemente de gostar, fiquei chapado com a violência do filme. O roteiro de Cormac McCarthy ajusta-se perfeitamente à visão de mundo de Ridley, que fez um filme de horror sobre o capital, o dinheiro que nunca dorme (e tudo corrompe). Tive um sensação vendo o filme de depois fui procurar na rede. Ridley iniciou a filmagem no fim de julho do ano ano passado. Pouco depois, uns 20 dias, seu irmão Tony se suicidou e ele interrompeu as filmagens. Teve, com toda certeza, tempo para pensar. O Conselheiro tem temas que têm estadop presentes na obra de Ridley – dilemas morais, cobiça humana, morte. São temas, o primeiro e o último., que também interessam a McCarthy, mas tenho a impressão que a ‘sujeira’ da paisagem mexicana, retratada de forma documentária, vem de Chamas da Vingança, para mim o melhor filme de Tony, e um filme do qual gosto bastante. O Conselheiro não é um filme de ação. É de reflexão. Tomei um choque. Me baixou uma depressão que eu queria morrer. O cinema tem esse efeito sobre mim. Corri ao Ibirapuera para ver Nathan, mas quem diz que conseguia me concentrar? Fui para a Praça Roosevelt, para rever Os Gigantes da Montanha. O discurso de Pirandello sobre a arte (e a imaginação) e a beleza da montagem de Gabriel Villçela e do Grupo Galpão me reconciliaram comigo mesmo. Que coisa! O cinema me danou, o teatro me apazigou. O que é isso, meu Deus? Ah, sim, há uma cena que carrega uma private joke em O Co0nselheiro. É no primeiro grande diálogo entre Michael Fassbender e Javier Bardem. Michael olha para um pôster de… Steve McQueen, o astro, mas Michael também é o ator-fetiche do outro McQueen, o artista visual e diretor. Não sei quanta gente vai perceber, e nem é a coisa mais importante num filme cheio de informações cifradas (nos diálogos, principalmente), mas adorei. Tive de cortar bastante minha crítica de O Conselheiro do Crime. Amanhã ponho aqui a íntegra, depois que sair a versão do impresso. Agora, estou indo ver ‘Os Exilados do Vulcão’.

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