As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Filmambiente!

Luiz Carlos Merten

02 Setembro 2013 | 11h20

RIO – Cá estou, desde sexta, por conta do Festival de Audiovisual Ambiental, o Filmambiente. Tenho visto bons filmes e encontrado autores bem interessantes, como o sino-canadense Hyang Chang, de The Fruit Hunters, Os Caçadores de Frutas. O filme dele é muito bacana, mas terminamos conversando mais sobre Jia Zhang-ke, que ele venera, mas ainda não viu A Touch of Sin, que eu ouso dizer que é o melhor filme do Jia. Chang se surpreendeu que um diretor tão autoral quanto Jia seja conhecido dos cinéfilos brasileiros e, mais ainda, que já tenha sido homenageado com uma retrospectiva e um troféu especial pela Mostra de São Paulo. Paralelamente ao Filmambiente, fiz entrevistei muito legais com Daniel Burman, que comemorou 40 anos na sexta-feira, último dia de filmagem de El Misterio de la Felicidade. Seu novo filme é uma parceria com a Total Entertainment e ele rodou no Rio cenas essenciais para a trama, sobre dois amigos, argentinos como o diretor, e o pacto que eles fazem e os obriga a voltar ao Brasil, onde se envolveram com Claudia Ohana no passado. Gosto do cinema de Daniel Burman e gosto mais dele como pessoa – como indivíduo -, porque é realmente um cara muito bacana. Na sequência da entrevista com o Burman corri para o Copacabana Palace, no sábado pela manhã, para entrevistar Stephan Elliott. O diretor de Priscilla estava em plena efervescência. Havia filmado e montava seu episódio para Rio Eu Te Amo, e o episódio chama-se I Think I’m Falling in Love e conta como Elliott encontrou seu namorado brasileiro, com quem vive há 20 anos. Neófito no Rio, ele quis escalar o Pão de Açúcar, mas o guia lhe disse que era impossível, ele insistiu, fizeram a escalada e, ao cabo de um dia inteiro de esforço, chegaram ao topo em pleno entardecer. Olharam o por do sol, trocaram um olhar e, coisa de conto de fadas – gays também são românticos, por que não? -, a vida deles nunca mais foi a mesma. ‘Acho que estou me apaixonando’, Elliott disse e o filme reproduz esse momento, com a trilha de Bebel Gilberto, que não havia (claro!) no original. Filmes, entrevistas, tudo muito legal, mas cavei um espaço para o teatro e fui ver A Falecida de Moacyr Goes, com seu irmão Leon, que me encantou. Algumas montagens de Nelson Rodrigues me marcaram, mas é curioso como as quatro horas do Boca de Ouro de Zé Celso, quando Reynaldo Gianechini ainda não era global, foram reduzidas a enxutos 70 minutos por Moacyr Goes, que fez a melhor versão da tragédia suburbana de Nelson e, ao mesmo tempo, conseguiu colocar no palco o humor que o próprio dramaturgo identificava em seu texto (e reclamava que os diretores o ignorassem). Vou voltar a essa Falecida, mas o que quero agora é chamar a atenção para uma coisa fundamental. A Vitrine lançou, em um horário, e confesso que descobri somente hoje, ao pesquisar para o programa de rádio, um filme pelo qual sou siderado – Las Acacias. Um motorista de caminhão, a mulher para quem ele dá carona, o bebê que ela carrega. Não é preciso mais que isso para que Pablo Giorgelli construa uma obra-prima de rigor humano e observação social. É um filme pelo qual sou louco. E que irá para minha lista de melhores do ano. Vou ter de voltar a ele, também.