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Ficção científica anos 1950

Luiz Carlos Merten

29 Janeiro 2018 | 14h03

Já escrevi um texto sobre A Forma da Água para o impresso – Caderno 2 – e estou agora em casa esperando o chamado para participar do programa de rádio de Mário Kertész em Salvador. Todo ano Mário me chama para essa conversa de cinéfilos, pois, como eu, ele ama cinema. Deveria dizer, os filmes, mas no meu caso eu gosto de cinema até quando o filme é ruim e já vi muitos na minha vida, até filmes ruins que, de alguma forma, se tornaram importantes e até referências. Lembro-me de uma entrevista que o mítico Fritz Lang deu quando foi jurado no FestRio, dizendo que todo filme é sempre interessante, nem que seja para provar o que não se deve fazer no cinema. Mas escrevendo sobre o background político de A Forma da Água, a Guerra Fria, etc, não posso deixar de lamentar por não ter ficado em BH, como sempre faço, após Tiradentes. Havia visto, acho que no Tempo, uma matéria sobre um ciclo que começou no Cine Humberto Mauro, da Fundação Clóvis Salgado. Pronto – havia dado uma parada aqui, porque veio o horário com o Mário, e espero quye tenha sido bom psara ele como foi para mim. Já produzi rádio em Porto Alegre e adoro a mídia. Continuando – Ficção científica Anos 1950. É o título do ciclo, com 40 títulos. 40! A própria sinopse da Fundação – parei para procurar na internet – dá conta do que se trata. ‘Os filmes são divididos em diferentes vertentes, sendo as principais – corrida espacial, contato com seres alienígenas invasores ou infiltrados e desastres ambientais provocados pela ação humana (acidentes nucleares, atômicos). Devido ao contexto da Guerra Fria, surge o medo do estranho, que aparece na figura do alienígena, naquele que está infiltrado, reflexos daquele período que passava a humanidade.’ Tudo isso se espelha nos filmes que compõem a programação, e é óbvio que não vou citar os 40. Godzilla (de Ishiro Honda), O Incrível Homem Que Encolheu (Jack Arnold), O Dia em Que a Terra Parou (a versão de Robert Wise), Vampiros de Almas (a de Don Siegel), Guerra dos Mundos (a versão de Byron Haskin, claro), Viagem ao Centro da Terra (Henry Levin, 1959), 20.000 Léguas Submarinas (Richard Feischer, 1954), etc. Tem até filme brasileiro – O Homem do Sputnik, de Carlos Manga, de 1959, e Simão, o Caolho, de Alberto Cavalcanti, 1952. Estou citando o quê? Uns dez filmes, e são 40. Ou seja – tem muito mais. Estará O Mundo em Perigo/Them!, de 1954, do meu amado Gordon Douglas, sobre aquelas formigas gigantes que até hoje assombram meu imaginário? O importante/interessante é que todos esses filmes, imersos num contexto histórico, traduzem o mesmo desconforto, a paranóia, que Guillermo Del Toro expressa em A Forma da Água. Eu, em BH, estaria indo todo dia ao Palácio das Artes.