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Festival Sesc premia melhores

Luiz Carlos Merten

03 de abril de 2014 | 01h05

Cá estou de novo em São Paulo e às vésperas de voar para o Rio para assistir, no sábado, à estreia do novo infantil de meu amigo Gabriel Villela com Luana Piovani. Tinha um, monte de matérias para a edição de amanhã do Caderno 2 – de hoje, porque já passou da meia-noite. Terminei e corri para o Cinesesc, onde houve a estreia do Festival Sesc de Melhores Filmes. Embora não vote, costumo fazer a matérias de abertura e também vou. Não deixo de votar por birra. Nem sei qual o motivo. Ou, melhor, sei, mas parecerá tão infantil que mal ouso formulá-lo. Estou na cidade – e no Estadão – há 25 anos. No início, não votava porque o processo se dá em janeiro, quando estou fora e, depois, porque passou a ser informatizado, via e-mail e vocês sabem da minha ojeriza ao correio eletrônica. Com o tempo, cheguei à conclusão de que a votação vive muito bem sem mim, mas não a cobertura do jornal. E assim tem sído. Mas talvez exista certa birra. Não aceitaria votar em São Silvestre para melhor documentário e ter de escolher uma ficção como melhor brasileiro do ano. O filme de Lina Chamie, que ocorre ser uma ficção travestida de documentário, foi o melhor, e pronto. Assim penso eu, mas meus colegas críticos dividiram-se entre Mataram Meu Irmão, de Cristiano Burlan, que deveria ter ganhado sozinho, e Domésticas, de Gabriel Mascaro, do qual gosto, mas não seria o caso de dividir. O público votou em Elena, de Petra Costa, e desse, decididamente, não gosto. Se prefiro São Silvestre, fica implícito que não considero O Som ao Redor o melhor nacional. Por grande que seja, Irandhyr Santos não me parece ter sido o melhor ator – ele próprio dedicou o prêmio a seus colegas de Tatuagem, Jesuíta Barbosa e Rodrigo Garcia, mas público e críticos foram no óbvio (o ator consagrado). A vitória de Denise Fraga também foi dupla, críticos e público, por Hoje, de Tata Amaral. Sorry, mas nem f…, por mais que o discurso de agradecimento da atriz tenha me emocionado, por seu firme apoio às Comissões da Verdade. Na categorias estrangeiros, fiquei com o público, que superpremiou Azul É a Cor Mais Quente. Eu teria dividido meus prêmios entre Azul e Um Estranho no Lago, de Alain Guiraudie, mas meus colegas preferiram Amor, de Michael Haneke, a quem não deram o prêmio de direção. Ele foi para… Única chance – Miguel Gomes, de Tabu. Como diria Nelson Rodrigues, o óbvio ululante. Em seu discurso de abertura, o professor Danilo (Santos de Miranda) lembrou que nos 40 anos de Festival dos Melhores Filmes, o objetivo tem sido sempre ensejar a discussão estética. Acho bacana, e estrou firmemente decidido a rever alguns dos vencedores nacionais desses 40 anos. Eles compõem uma programação paralela própria. Espero rever As Canções, de Eduardo Coutinho, menos como homenagem e mais porque gosto de verdade do filme. E os dois Nelson(s) – O Amuleto de Ogum e Memórias do Cárcere. A maratona do Festival Melhores Filmes começa amanhã e bate com o Festival de Documentários É Tudo Verdade, mas sobre esse volto amanhã.

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