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Festival do Rio (9)/Direita, volver!

Luiz Carlos Merten

08 Outubro 2015 | 12h54

RIO – Fiquei muito impressionado com Cordilheiras no Mar – A Fúria do Fogo Bárbaro, documentário de Geneton Moraes Neto sobre o Glauber político, que apoiou o projeto de abertura de militares como os generais Ernesto Geisel e Golbery do Couto e Silva. O filme é épico, operístico – glauberiano. Ontem vi outro documentário – Mário Wallace Simonsen, de Ricardo Pinto e Silva, sobre o empresário que criou a Panair e a TV Excelsior, pré-Globo, e foi destruído no chamado ‘escândalo do café’, orquestrado por inimigos políticos acobertados na ditadura militar. Vários dos personagens que dão depoimentos são os mesmos, nos dois filmes, mas agora o tom é outro. Mário foi um empresário tão adiante de seu tempo quanto Glauber na arte. Em meados dos anos 1960, foi acusado de corrupção e crucificado pelo regime. No fim do asno passado, a Comissão da Verdade reconheceu que sofreu perseguição política. O grupo (legalista?) do General Castelo Branco, cuja linhagem vai prosseguir com Geisel e Golbery, é agora pintado como corrupto – ‘não seriam militares brasileiros, se não fossem corruptos’, afirma o ex-advogado de Simonsen, Saulo Ramos. A plateia do Odeon, silenciosa e reverente no Glauber – pasma? -, agora morria de rir do jogo de interesses e da falsidade ideológica da aliança civil/militar. São filmes complementares, contraditórios. E se a gente busca correspondências no Brasil atual, nos deixam sem bússola. Estou aqui recolhendo meus cacos.