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Festival do Rio (8)/Tarde demais (para morrer jovem)

Luiz Carlos Merten

07 Novembro 2018 | 12h50

RIO – Jantei ontem com Ana Luiza Müller e George Moura numa tratoria do Jardim Botânico, perto da casa deles. Chegou Barbara Paz, que havia apresentado seu curta, Conversa com Ele, no IMS. Barbara me elucidou uma questão que coloquei aqui. Quando vi Pixote, no lançamento, não havia aquela apresentação do próprio Hector Babenco. Ele colocou depois, para o mercado externo, e ficou incorporada ao filme. Era um tipo, bonitão, o jovem Hector. Talvez seja indiscrição, mas Gabriel Villela, que acompanhou a filmagem de Brincando nos Campos do Senhor na Amazônia, me contou histórias de bastidores que fariam o maior sucesso, se as recontasse no blog, mas não é o caso. Gabriel estreia amanhã, quinta, 8, aí em São Paulo, o Estado de Sítio. Será sua primeira montagem em dez anos da qual não assisto à estreia. Sucesso! Paz e amor! Verei na volta. Além de Olivier Assayas, fiz ontem entrevistas bem legais com Crystal Moselle, de Skate Kitchen, Ana Katz, de Sueño Florianópolis, Dominga Sotomayor, de Tarde Demais para Morrer Jovem, e com os diretores de Diamantino, Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt. Dominga me contou algo muito interessante sobre o filme dela, que foi produzido por Rodrigo Teixeira. O filme passa-se numa comunidade meio hippie nas montanhas que cercam Santiago. O ano é 1989, véspera de Ano Novo, o fim da ditadura de Augusto Pinochet. Tudo isso é muito sutil, pouco claro, porque o relato é bem desconstruído. E tem essa garota, que não parece confortável, que quer partir. É andrógina. Nos créditos, vi o nome de Demián Hernandez, um nome masculino. Estranhei. Dominga me contou o filme dentro do filme. Durante o processo, a garota trans fez sua cirurgia de mudança de sexo e virou ‘ele’. Fez o filme como mulher e o estreia como homem. Causou estranhamento – ele próprio sentia-se estranho, ao ver-se na tela – em Toronto, onde Tarde Demais recebeu o prêmio de direção. Novas concepções de família, de identidade. O festival dá conta de tudo. É ótimo estar aqui.