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Festival do Rio (7)/Maravilhoso Boccaccio

Luiz Carlos Merten

07 Outubro 2015 | 10h25

RIO – Todo ano o Festival do Rio realiza a mostra Grandes Mestres, dentro do Panorama do Cinema Mundial. Paolo e Vittorio Taviani estão entre os grandes mestres deste ano. São ‘os’ grandes mestres. Maraviglioso Boccaccio. Por volta de 1970, Pier-Paolo Pasolini começou com Decameron a sua trilogia da vida, que prosseguiu com Os Contos de Canterbury, de Chaucer, e As Flores das Mil e Uma Noites. Histórias de amor e sexo, de liberdade e vida. O mundo e a cultura populares, o sexo (quase?) explícito. Comparativamente, as cinco histórias que os Taviani escolheram entre as 100 do Decamerão são até pudicas. São histórias de amor e sexo. mas ninguém fica nu em cena. O que mais gosto no cinema é a diversidade. O que é visceral, necessário para Gabriel Mascaro não é para Paolo e Vittorio, e os três me encantam. Acompanho os Taviani desde os anos 1960. Vi todos aqueles filmes – Sob o Signo de Escorpião, Allonsanfan, Pai Patrão, tão políticos. Meus preferidos são A Noite de São Lourenço e Kaos, que abordam o mito. Os Taviani meio que pareceram ter perdido o rumo, mas se reinventaram com César Deve Morrer. E agora chegam ao maravilhoso Boccaccio. Florença, no século 14. A peste consome a cidade. Dez jovens isolam-se, fazem voto de castidade e, para passar o tempo, contam-se histórias. Na primeira, Riccardo Scamarcio resgata a mulher que o marido deixou para morrer. Na última, a castelã premia a pureza de coração do pobre cavaleiro que tudo sacrifica – uma amizade muito especial – por amor a ela. Confesso que vi o filme num estado de exaltação. A cor me deixou louco. Uma paleta (pré)renascentista? Numa época de tormenta, a arte de contar histórias – e o amor – nos salvam. Simples assim. De novo, tinha muita expectativa, e os Taviani não me falharam. Só fiquei triste por serem cinco histórias. Poderiam ser mais – o dobro, o triplo… Ia adorar.