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Festival do Rio (7)/Terminando… E com gostinho de quero mais!

Luiz Carlos Merten

19 de dezembro de 2019 | 09h23

RIO – E o festival termina hoje à noite, com a premiação, no Museu do Futuro. Confesso que nem sei quem forma o júri que vai outorgar os Redentores para os melhores da Première Brasil. Marisa Leão, talvez? Lembro-me de haver ouvido algo a respeito. Não haverá repescagem porque o circuito, nesta quinta, 19, no Rio e no Brasil inteiro, está comprometido com a super-estreia de Episódio IX – A Ascensão Skywalker. Acho um absurdo que o mercado esteja voltado para um só filme, e ao mesmo tempo gosto desse filme, considero-o atual e, se eu for o único a gostar, que seja. A sensação é que JJ (Abrams) o fez para mim. Já se vão mais de 40 anos desde que assisti a Star Wars, lasnmçasdo como GUerra nas EStrelas, no Imperial, em Porto Alegre, que era o cinema lançador dos filmes da Fox. George Lucas era o diretor e, de cara, havia aquele ataque à casa dos tios de Luke, em Tatooine. Lucas admitioa habver-se inspirado em John Ford, Rastros de Ódio, o ataque à fazenda da família de Ethan Edwards e, daqueles escom,bros, ele inicia a busca pela sobrinha sequestrada pelos indígenas. Fechando o ciclo, JJ retorna ao western. A díade Rey/Kylo Ren (ou Ben) evoca Budd Boetticher, em que o bandido é sempre o lado sombrio do mocinho, e os grandes rom,ances filmados do rei Vidor, o amor sacrificial de Ruby Gentry e Pearl Chavez (em Duelo ao Sol), só que aqui invertido, para que Kylo, como seu avô Darth Vader possa retornar das trevas como Annakin. E tudo se resolve no sobrenome – a ascensão Skywalker. Tão belo e, ao mesmo tempo, tão triste, ou assim me pareceu. O triângulo que não se resolve, nem com o acréscimo de novas personagens que fornecem interesses românticos para Finn e Poe. Permanecem atados a Rey e aquele abraço também é uma confissão de impossibilidade. No Odeon Claro/Centro Cultural Luiz Severiano Ribeiro, Ilda Santiago subiu ontem ao palco, na sua despedida para o público em 2019. Prometeu voltar em 2020 – we will meet again, o tema musical kubrickiano de Doutor Fantástico, tocado/cantado sobre as imagens de destruição atômica. Nos encontraremos – espero. Em que Brasil será, não sei, mas gostaria de acreditar que será melhor. Ilda agradeceu aos 2 mil contribuintes e apoiadores que tornaram o 21.º Festival do Rio possível, apesar de todas as dificuldades. Havia o temor de que fosse um festival fraco, de segunda mão. Não foi – foi mais compacto, com menos convidados, mas vi grandes filmes, brasileiros e estrangeiros, fiz grandes entrevistas. Nesta quinta ainda me faltam duas, com Luiz Carlos Barreto, o Barretão, e Pedro Costa, o grande autor português cujos filmes permanecem secretos no Brasil, sem lançamento comercial e apenas conhecidos pelo público de festivais. Pedro veio num bate/volta para exibir e debater Vitalina Varela, seu novo longa, que venceu o Leopardo de Ouro em Locarno e valeu a sua atriz, uma cabo-verdiana de 55 anos, o prêmio de melhor no evento. Aleluia! Vitalina Varla promete fazer a exceção. Terá lançamento comercial no País – pela Zeta. E o próprio Festival do Rio terá uma programação selecionada em fevereiro, no CineSesc, em São Paulo – onde mais? -, na semana anterior ao carnaval. Tenho de admitir apenas uma frustração. Fui ver Jojo Rabitt, que atrasou e impediu que eu corresse ao Net Ipanema para tentar ver o Takashi Miike, Primeiro Amor. Nos últimos anos, o cinema japonês praticamente sumiu das telas brasileiras, com exceção de Hirokazu Kore-eda, mas eu sempre adorei o cinema de gênero de Miike, seus gângsteres e heróis de sabre. O problema é que esses dez dias (do festival) passaram muito ráído. Que no ano que vem o festival volte à duração normal, e com outro Miike em sua seleção. Não posso deixar de me lembrar de Richard Lormand, que morreu há um ano. Em Berlim e Cannes, ele sempre fazia a assessoria para o endiabrado mestre japonês. Devo a Richard meus encontros com Takashi. Cada ano ele surgia/surge com um corte diferente de cabelo, muitas vezes colorido. E os filmes têm a cara selvagem dele.