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Festival do Rio (5)

Luiz Carlos Merten

02 de outubro de 2014 | 10h36

RIO – Foi um luxo. Trinta teve sua première internacional ontem à noite no Festival do Rio. O filme de Paulo Machline teve direito a gala no Teatro Municipal, aonde João Jorge Trinta chegou nos anos 1950, decidido a se tornar bailarino. Você acha que sabe tudo nsobre Joãosinho Trinta, o homem que revolucionou os desfilos de carnaval e ajudou a transformar as duas noites gloriosas da Sapucaí no maior espetáculo da Terra. O filme revela o Joãosinho desconhecido, ou pouco conhecido. Como um gay tímido, discriminado na família e no barracão da escola de samba (o Salgueiro) conseguiu se afirmar para realizar, com o enredo Ratos e Urubus Largem Minha Fantasia, em 1989, o que é considerado o maior desfile de todos os tempos. Machline tem um desejo nada secreto. Quer fazer filmes sobre as três maiores paixões do poivo brasileiro. Sobre o futebol, fez seu curta indicado para o Oscar. Sobre o carnaval, faz agora sua biografia parcial, um recorte da vida de Joãosinho Trinta. E ainda falta o terceiro filme sobre as novelas. Gostei muito de Trinta, e gostei de Matheus Nachtergaele, que faz o papel. Que ator, meu Deus! Matheus contou, no palco do Municipal, que existe em São Paulo Paulo uma expressão. Quando a pessoa está muito ansiosa, lhe dizem, mas nun ca me disseram – vá pentear macacos. Ele estava muito ansioso ontem. Em sua casa no Rio, não tem macacos, mas tem dez cachorros. Pegou a escova e penteou os dez, à espera da noite. Depois da sessão, as pessoas faziam fila para abraçá-lo. Trinta estreia dia 13 de novembro. Por motivos óbvios, Trinta está na competição pelo Félix, o prêmio que o Festival do Rio vai outorgar para o melhor filme de temática GLBT. Ilda Santiago quase morreu quando lhe disse que o Félix era o Redentor gay. Nãããoooo! A arquidiciose do Rio, que já quis proibir o episódio de José Padilha e Wagner Moura em Rio Eu Te Amo, poderia ter num piti – como João/Matheus tem no barracão, numa cena memorável de Trinta. Encontrei Malu de Martino, vi de longe Wielland Speck e ambos integram o júri do Félix. Hoje, espero ver dois longas estrangeiros, além do brasileiro, à noite. O português Cavalo Dinheiro, de Pedro Costa, e Corações Famintos, de Saverio Constanzo. É minha última chance copm o italiano. O português terá sessões no sábado, mas na hora de um debate que vou ter, e no domingo vou fazer um bate/volta em São Paulo para votar. Ou seja, tem de ser hoje. Meu dia promete.

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