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Festival do Rio (6)/Nóis por Nóis e os ‘homi’

Luiz Carlos Merten

06 Novembro 2018 | 10h08

RIO – Estou preferindo resgatar os filmes da Première Brasil no Odeon, que agora se chama Centro Cultural Luiz Severiano Ribeiro – Cine Odeon Net Claro. Ufa! Isso significa que os estou vendo no dia seguinte. Alguns já vi em São Paulo, na Mostra. Outros deixei para ver no Festival do Rio, como Nóis por Nóis, que teve por complemento Preciso Dizer Que Te Amo. Os curtas sobre negros, trans e violência contra mulheres têm feito muito sucesso. Aplausos, gritos, palavras de ordem. Outro dia quase não acreditei. Ouvi – ‘Fica, Temer!’ O Aly Muritiba só poderia ver aqui. Não esteve na Mostra. O diretor volta ao tema da internet e das redes sociais. Dois filmes num ano. Não é pouca coisa, nesse momento, mas dessa vez tem um crédito de codireção – Jandir Santin. Ferrugem é sobre uma garota de classe média cuja vida é destruída nas redes sociais. Nóis por Nóis é sobre jovens de periferia. Cometem muita m… Enfrentam a violência da polícia com as novas ferramentas da internet. De novo, como em Ferrugem, o celular desempenha um papel importante. Gostei mais, ou foi o impacto? É fácil experimentar empatia por um filme que termina desse jeito, olha o spoiler. Não fiquei para o debate, que talvez tenha esclarecido a questão, mas confesso que saí do cinema com uma pergunta me corroendo a alma. Como se faz um filme contra a polícia com a ajuda da polícia? Carros, armas, uniformes. Tudo aquilo é autêntico, ou foi produzido? Os policiais ‘têm’ de ser atores, porque duvido que policiais de verdade se deixariam filmar naquelas situações de violência. Com toda certeza terei tempo e condições de elucidar a questão com o próprio Muritiba antes do lançamento. Seu filme é forte. E está na disputa do Redentor.