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Festival do Rio (6)/ Episódio IX!

Luiz Carlos Merten

19 de dezembro de 2019 | 00h20

RIO – Toda noite, ao chegar no quarto do hotel, não me canso de olhar a vista. A praia de Copacabana, a curva da Av. Atlântica. Há dois ou três dias, a lua, mesmo que não fosse cheia, projetava raios prateados no mar. Impossível imaginar maior beleza. Estou vindo da sessão de Jojo Rabitt, e confesso que estou meio desconcertado, sem saber direito o que pensar do filme de Taika Waikiki. O garoto que pensa que é nazista e cujo amigo secreto é Adolf – Hitler. A garota judia, a mãe dele, Scarlett Johanssen, que é da resistência, e o militar que os ajuda, ou protege. Quando foi que Sam Rockwell virou grande ator? Pois ele é. Luiz Pattoli me havia exortado a ver o filme, mas eu não consegui entrar no espírito, como talvez poderia, ou até deveria ter entrado. Pela manhã, na hora do café, olhei a capa da Folha, só olhei, e vi que tinha chamada para uma matéria de Inácio Araújo. Enrugado, mas ainda charmoso – Episódio IX, A Ascensão Skywaker. Não creio que tenha conseguido dar conta, no texto minúsculo que tenho na edição de amanhã do Estado, da emoção que me produziu o fecho da saga Star Wars, a que assisti hoje na Sala Imax do Shopping Barra. Velho o caralho. ‘Apenas’ Rey ganha um sobrenome, Kylo Ren é resgatado do lado escuro da Força, como antes dele Darth Vader, Finn e Poe não formam um par gay, mas o filme celebra o trio que eles formam com Rey. Rey quem? Finalmente descobrimos a origem da garota e tudo faz sentido. Não apenas Kylo/Ben, mas ela também é atormentada interiormente. Completam-se, como uma díade. E para que um possa viver, o outro tem de se sacrificar. Amor, estranho amor. Na entrevista que me deu, durante a CCXP – nem sei se posso dizer que foi entrevista, míseros dez minutos -, perguntei a JJ Abrams se poderia esperar a mistura de intimismo e escala, ou grandiosidade, que é tão característica de seu cinema. Ele me disse que sim, eu fui esperando e não me decepcionei. Pais e filhos, fantasmas, retornos. Leia Organa, Han Solo, Luke Skywalker – e Lando Carlissian, o lendário piloto interpretado por Billy Dee Williams. Chorei vendo Episódio IX. Não creio que exista outra série como essa. Três trilogias, nove filmes realizados ao longo de mais de 40 anos. Estava nos meus 30, quando vi o primeiro. O mundo era outro. O cinema era outro. Tudo mudou, mas permanece a capacidade de nos fazer sonhar. Assisti a Jojo Rabbit e fui jantar no restaurante do lado do Odeon, ex-BR, agora Net/Claro, na Cinelândia. Fiquei olhando a chegada dos fãs, vestidos a caráter, para a sessão de A Ascensão Skywalker no festival. Ridículo ou sublime? Não serei eu a atirar a primeira pedra.

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