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Festival do Rio (5)/Mortos que caminham

Luiz Carlos Merten

17 de dezembro de 2019 | 11h15

RIO – Hoje à tarde tenho meu debate no festival, sobre o filme de Lírio Ferreira, Acqua Movie. Deixei de vê-lo na Mostra porque o horário batia com Outubro, encontrei Maria Ribeiro e Fernando Haddad no Frei Caneca, terminei mudando de programa e não me arrependi – gostei muito de Outubro, outro documentário autoral, na primeira pessoa, na linha de Petra Costa. Antes eu implicava com esse conceito, mas terminei me rendendo. Cada caso é um caso. Por conta do Oscar, atrasei-me. Não conseguiria chegar ao Net Gávea para ver o Lírio, ontem à noite. Corri para o Odeon, pertinho da sucursal, e consegui ver Os Mortos não Morrem. Jim Jarmusch e o cinema de gênero. Depois dos vampiros de Amantes Eternos, mortos vivos. Entre ambos, Jarmusch fez Patterson, com Adam Driver, que amei. Driver está de novo em Dead Men don’t Die. Num mundo estranho, em que o desequilíbrio ecológico – negado pelo governo, e nisso parece o Brasil – produz mutações climáticas e ambientais, a consequência é o horror. Walking Dead! Essa agora vou tirar do baú do meu inconsciente – Mortos que caminham. A tradução evoca um clássico de guerra de Samuel Fuller com Jeff Chandler – Merrill’s Marauders, no começo dos anos 1960. Driver integra com Bill Murray a dupla de policiais da pequena cidade de Centerville – na verdade, é um trio, pois há também a Mindy de Chloë Sevigny. Os três – quatro, incluída Tilda Swinton, dando uma de Uma Thurman em Kill Bill; é letal com o sabre – enfrentam a ascensão dos mortos-vivos e, desde o começo, Driver adverte. Isso vai acabar mal. Lá pelas tantas, Murray pergunta – como você tem tanta certeza? Olha o spoiler – ‘Eu li o roteiro’, é a resposta. Jarmusch é o mais cool dos autores. Gostei demais da ambientação de Mortos não Morrem, da trilha. Jarmusch está em grande fase.