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Festival do Rio (5)/Black é beautiful (sim!)

Luiz Carlos Merten

05 Novembro 2018 | 23h58

RIO – Vi no outro dia, na loja do aeroporto, o livro com uma compilação de textos do filósofo Olavo de Carvalho. Esse é uma versão um pouco mais civilizada do presidente eleito. Mas diz o que as pessoas ‘de bem’ querem ouvir. Legitima-as. Me chamou a atenção um texto contestando o conceito de black is beautiful. Por que negros seriam belos, pergunta-se o filósofo? O conceito do filósofo, quem é essa figura, deteriorou muito, com certos personagens, pelo menos. Por que o negro seria belo? Por que fazer disso um campo de batalha? Talvez por um resgate histórico, por uma questão de autoestima, porque por centenas de anos negros foram vendidos e usados como coisas, bichos. Ai, Olavo… Vi ontem à noite o longa de Barry Jenkins, Se a Rua Beale Falasse. Um casal jovem, de negros. Ele vai preso, acusado de estupro. Ela está grávida. Havia a expectativa de que Jenkins e Damien Chazelle se enfrentassem de novo no Oscar. Por mais que tenha visto qualidades no Chazelle, O Primeiro Homem (na Lua), não tem como. Jenkins dá de 10. E onde foi que ele achou um casal de negros tão lindos? Não sei nem os nomes. Podia ficar só olhando para eles, mas o filme, com o pé em James Baldin – lembrem-se do documentário de Raoul Peck – é deslumbrante. E ainda tem Regina King, que faz a mãe da garota. A atriz que faz a mãe dele – prometo pesquisar todos os nomes – é magnífica, mas sua participação dura o tempo de uma cena, 5 minutos, e uma porrada que vai entrar para a história. A mulher é crente, evangélica. Amaldiçoa o neto porque foi concebido em pecado, fora do casamento. tal é o estado do mundo. Aí cabia compaixão. Não houve. Amei o Barry Jenkins, mais que Moonlight – Sob a Luz do Luar. Resta saber se a Academias vai amar, também.