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Festival do Rio (4)/Paz e amor (mas cuidado que lá vem bala)

Luiz Carlos Merten

05 Novembro 2018 | 09h50

RIO – Não dei conta de uma coisa que me mortificou, ontem. Havia deixado para ver o Assayas aqui, e dei meus motivos no post anterior. Arrependi-me. A sessão em Botafogo terminou quase à 1 da tarde, comi correndo para ir à sucursal, no Centro, mas nem com banda de música conseguiria estar de volta às 3, no IMS, na Gávea, para ver a versão restaurada de Rio 40 Graus, na homenagem que o festival presta a Nelson Pereira dos Santos. M…! Terminei vendo, às 4 e meia, no Odeon, A Terra Negra dos Kawa, de Sérgio Andrade, que achei estranhíssimo. A terra dos índios – as pessoas a comem e ficam erotizadas, inundadas de amor. Sérgio podia levar uma tonelada dessa terra ao Congresso para encher de amor o coração dos congressistas que vão demarcar os territórios indígenas. A bancada da bala, que engole terra de outro jeito, não vai entrar nessa de paz e amor, nunca. Teremos chumbo grosso pela frente, por mais conciliador que tenha sido, ontem, na igreja evangélica da mulher dele, o discurso do presidente eleito. Vai governar para todos os brasileiros, etc. E, à noite, vi o James Baldwin, ‘by’ Barry Jenkins, If the Beale Street Could Talk. Não consigo dar conta de escrever sobre o filme em 5 minutos, porque tenho de ver a Domingas Sotomayor, Tarde Demais para Morrer Jovem. De novo não sei nada sobre o filme que vou ver (em outra cabine de imprensa). Só sei que o título me intriga. Espero ser surpreendido.