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Festival… (21)/E Guillermo Del Toro me convenceu. Tom Hiddleston é magnífico

Luiz Carlos Merten

14 Outubro 2015 | 09h02

RIO – Em princípio, estou voltando no início da tarde para São Paulo. Foi-se mais um Festival do Rio – menos um, como diria Mário Peixoto. Um pouco por conta da crise, mas também atendendo a um desejo da organização, o festival ficou mais compacto, sem perder a relevância de suas diversas seções e sempre mantendo o foco na Première Brasil. Posso ter perdido alguma coisa – o documentário Futuro Junho, de Maria Augusta Ramos, que deixei para ver em São Paulo, e ela ganhou o prêmio de direção na categoria -, mas do muito que vi pouca coisa me decepcionou e algumas, como Aspirantes, me surpreenderam bastante. Imaginava que A Floresta Que Se Move não fosse ganhar nada, mas me surpreendi que Tudo Que Aprendemos Juntos também não tenha sido recompensado – e nem pelo público! Disse, no começo, ’em princípio’ – volto para casa -, porque à tarde passam alguns programas internacionais que gostaria de ver, porque não estarão na Mostra, tipo o Amos Gitai, Rabin – Último Dia, por exemplo, do qual ouvi falar maravilhas. Se não conseguir mudar minha passagem para um pouco mais tarde, perco o Gitai e terei me despedido do Festival do Rio de 2015, o de número 17, com A Colina Escarlate, que vi ontem, antes da premiação. Guillermo Del Toro conseguiu. Existem atores com os quais implico, admito. Não tem santo que me faça gostar daquele Benedict Cumberbacht, mesmo sabendo que o culto ao cara é tão grande que até se cunhou um termo, ‘cumberbachtes’, para designar suas admiradoras. Também nunca gostei muito de Tom Hiddleston, o Lóki, irmão de Thor, mas tiro meu chapéu e reconheço que o cara é maravilhoso na nova fantasia de Guillermo Del Toro. Puta ator. O filme apropria-se dos clássicos Rebecca, de Alfred Hitchcock, e Tarde Demais/The Heiress, de William Wyler, com ecos de outro Wyler, O Morro dos Ventos Uivantes (a charneca de Emily Bronte) e do Solar de Dragonwyck, de Joseph L. Mankiewicz, mas com uma pegada violenta de Brian De Palma, incluindo o embate físico entre as duas fêmeas (Mia Wasikowska e Jessica Chastain). Adorei o romantismo mórbido na história que também mistura casa assassinada com amantes eternos. Se não vir o Rabin – espero recuperar depois -, levarei comigo a boa lembrança de A Colina Escarlate. O filme estreia amanhã, 15, para vocês conferirem logo.