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Festival do Rio (2)/As duas Anas

Luiz Carlos Merten

04 Novembro 2018 | 09h41

RIO – Qual é a probabilidade? Havia encontrado Ivana Bentes, há quem não via há anos, e ontem, no metrô, encontro quem? Ivana e Arthur Omar, queridos. Comprometi-me a ver a exposição dele em São Paulo, que a Ivana me disse estar fantástica. Embora parte interessada, como mulher dele, ela é intelectual, e séria. O elogio deve contar. Assisti pela manhã a Sueño Florianópolis, cuja diretora devo entrevistar na terça. qaue maravilhosa atriz é Mercedes Morán. E Andréa Beltrão – se não existisse, terias de ser inventada. Há uma cena das duas, aliás, mais de uma cena. Mas falo na despedida.O que dizem, e o que não dizem. Será que vão me achar louco se disser que o filme de Ana Katz me deu uma puta vontade de chorar. Filme mais triste, sô. A miséria humana das famílias. Por outro lado, Clementina me produziu uma puta euforia. A outra Ana, Riepert, fez um filme lindo, e não que o da Katz não seja. Dona Clementina, como diz como respeito Alcione, tinha luz, brilho. Seu canto era de raiz, de dentro, ancestral. Dona Clementina falando do marido é uma coisa emocionante. Essas pessoas que vivem uma vida juntas e ainda se amam. E ela era engraçada. Convidada pelo Itamaraty para ir ao Qatar representar o Brasil num festival de arte negra, quis saber como se ia – de ônibus? Na fila do cinema, presenciei um incidente interessante. Uma mulher negra – jovem e, se bem tratada, bonita – pedia ajuda. Era divertida, mas educada. Passou um homem de amarelo, logicamente, um homem de bem, representante do Brasil novo, que queremos. Queremos? Negro, gordo, o que não sei se é relevante, mas ele era. Essas pessoas de bem me metem medo. Não, não é medo. Não basta não dar ajuda. Ofendem. ‘Vai trabalhar, vagabunda.’ Clementina também é sobre o trabalho. O ofício de cantar. E Dona Clementina, que adorava cozinhar, dá sua receita de feijoada. Do prato, em si, não gosto muito, mas a receita amei.