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Festival do Rio (17)/Félix

Luiz Carlos Merten

12 Outubro 2015 | 10h26

RIO – Fiquei ontem quase até o limite do fechamento na sucursal do Estado. Não fui à festa do Félix, que premiou o melhor filme LGBTQ do festival e outorgou um troféu especial, com o nome de Suzy Capó, a Rogéria. Encontrei-me agora no café da manhã com a Simone, do Cinesesc, que me deu conta da premiação. Ingênuo – como se fosse! – perguntei o que era o Q da sigla. Queer, que substitui o S de simpatizante. Enfim, ganharam Tangerina, melhor filme, e Beira-Mar, prêmio do júri. O longa vencedor de Sean Baker não tem nada a ver com Tangerines, que concorreu no Oscar de filme estrangeiro. Teria de fazer uma pesquisa para poder afirmar se o que vou dizer é verdadeiro, mas o diretor Baker, independente do Félix, no Rio, já fez história porque o filme dele foi todo gravado com iPhone, o que, para mim, soa como paisagem da Lua, mas a verdade é que é bem filmado. O filme foi feito com atrizes transexuais e o plot – uma delas sai da cadeia e descobre que seu cafetão não lhe foi fiel, enquanto estava presa – permite a Baker e suas atrizes viajarem nas muitas subculturas de Los Angeles, e isso é, no mínimo, inusitado. Tangerina ainda vai ter mais uma sessão, acho que na quarta. Recebi a programação do Mix Brasil e teria de conferir para saber se o filme está na seleção – tomara. Beira-Mar, de uma dupla gaúcha, Filipe Matzembacher e Marcelo Reoton, participou da seleção de Berlim, em fevereiro, numa das mostras paralelas. Dois amigos numa praia do Rio Grande. Casa de vidro, mar invernal, revolto, e há um clima entre eles. Achei a ambientação bem interessante. Mares borrascosos me atraem desde Os Boas Vidas, de Federico Fellini, e convém lembrar que também foi em Rimini, no inverno, que Valerio Zurlini filmou a saga do ‘professor’ Alain Delon, em A Última Noite de Tranquilidade. Zurlini desenvolveu durante anos um projeto ambicioso, que seria a saga de uma família vinda das colônias. Terminou filmando só o último dos Dominici, Delon, na noite que precede a morte, a tal noite de tranquilidade. Matzembacher e Reoton não fizeram nada tão denso e amargurado quanto o filme de Zurlini, até porque são muito jovens, mas ao mesmo tempo que acho importantes esses prêmios tenho medo de que o filme caia numa espécie de ‘gueto’. Beira-Mar possui qualidades que não podem passar despercebidas.