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Festival do Rio (17)/Sabor a Mix Brasil

Luiz Carlos Merten

15 Novembro 2018 | 00h18

Voltei do Rio na segunda e fiquei dois dias sem postar porque meu laptop deu pau. Fui hoje à Rua Santa Ifigênia e consegui que me trocassem a tela. Maldito Steve Jobs. Aquilo era o Cão, o Diabo, chupando manga. Me deram, não sei se no meu aniversário do ano passado, ou há dois, a biografia do cara. Sinto por quem me deu. Foi pro lixo, com a biografia de Rita Lee. Tive um amigo que fez parte do entourage dela. Contava coisas que nem eram escabrosas, só não faziam parte da biografia ‘transgressora’ oficial. De Steve Jobs guardo apenas a cena final do filme com Michael Fassbender. O sócio queria usar um lápis para acionar o teclado, nem lembro mais se era do computador ou do Iphone. Fassbender, não sei se arrogante ou só risonho, talvez os dois, mostra as duas mãos e sacode os dez dedos. O fdp me excluiu, e não apenas eu, claro. Desde que cheguei não paro de trabalhar, de ver filmes, de fazer entrevistas e escrever matérias. Não estou me queixando. Ontem à noite, participei com Ubiratan Brasil, no Caixa Belas Artes, de um evento Estado – o debate sobre o filme Em Chamas, de Lee Chang-dong, que foi projetado antes, de graça. Só preciso deixar claro o que coloquei num texto sobre a abertura do Mix Brasil, na noite desta quinta, 15. Quando terminar o post, já será amanhã. O Mix, Festival de Diversidades, que abra o olho. Os júris do Festival do Rio se anteciparam premiando produções de temática predominantemente LGBT. Não estou reclamando, só constatando. Face ao momento esquisito que vivemos no Brasil – o #EleNão sempre teve um discurso homofóbico, racista, violento. Quem o elegeu não apenas sabia disso como o elegeu por isso, o antipetismo foi só uma fachada, um pretexto-, os júris tomaram posição em favor dos excluídos. Faz todo o sentido, embora não seja necessariamente justo, do ponto de vista estético. Tive de cara, na segunda, ao chegar, uma amostra desses novos tempos. Fui almoçar no Meats, na esquina da Rua dos Pinheiros com a Joaquim Antunes. Tem um monte de motoqueiros que estão sempre ali, fazendo o serviço de delivery. Passaram dois PMs de moto. Voltaram e já desceram interpelando os caras com grosseria, dando empurrões, para mostrar quem era a autoridade. Odeio ver gente sendo humilhada, mas isso, pelo visto, não aborreceu os que estavam no restaurante e assistiam a tudo pelas vitrines – as extensas aberturas de vidro. Todo o mundo de celular na mão, menos eu, mas não vi ninguém documentar a cena. Estavam no whatsapp, no Face, no Instagram, na pqp. Pareceu-me, espero estar errado, uma amostra dos tempos que nos aguardam. O Brasil tomou partido e, pelo visto, não foi pela justiça social nem pela dignidade do outro. Aliás, que outro? Dureza, manos.