As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Festival do Rio (15)/Winner takes it all, os vencedores!

Luiz Carlos Merten

12 Novembro 2018 | 00h13

RIO – Cá estou, de volta no hotel, após a exaustiva cerimônia de premiação do Festival do Rio. Entendo perfeitamente o sentimento de apreensão das pessoas, as suas dúvidas e incertezas e o tom dos discursos foi marcado pela resistência. Defesa da universidade pública, da diversidade. Entendo, entendo, entendo. Apoio, apoio, apoio. Mas, depois do décimo agradecimento no mesmo tom, as coisas faziam mais sentido para quem dizia do que, para quem, como eu, escutava. Comecei a aplaudir no automático. É uma pena que o Festival do Rio não tenha transmissão direta pela TV, como Cannes. Obrigaria o cerimonial a cumprir o horário. Cannes e Berlim matam toda a charada em menos de uma hora. Uma hora, aqui, foi de atraso, mais sobe júri, desce júri, todo o mundo tem o tempo que quiser para agradecer… Socorro! Com duas horas de cerimônia ainda não havíamos chegado aos finalmentes. Virou, também, uma prova de resistência. Mas, como digo, valeu. Márcio Reolon e Filipe Matzembacher levaram o Redentor de melhor filme e roteiro por Tinta Bruta, que já havia recebido o Urso gay e o prêmio da Mostra Panorama, em Berlim. Mas não levaram o prêmio de direção, atribuído a outra dupla, João Salaviza e Renée Nader, por Chuva É Cantoria na Aldeia dos Mortos. Ítala Nandi foi melhor atriz, por Domingo, único prêmio recebido pelo filme de Fellipe Barbosa e Clara Lihart. Torre das Donzelas venceu como melhor documentário e sinto muito dizer. Venho tentando ver o filme de Suzanna Lira desde a sua primeira exibição da Mostra, mas não consigo. No Rio, parecia macumba. Todas as sessões coincidiam com compromissos previamente agendados. Socorro! Ilha, da dupla Glenda Nicácio/Ary Rosa, venceu a mostra Novos Rumos e eu gostei, mas não estou seguro de que não preferisse ver vencer o Inferninho, de Guto Parente e Pedro Diógenes. Prometo rever os dois. Da mesma forma, O Órfão, de Carolina Marekowitz, foi a escolha óbvia para melhor curta, depois das repercussão em Cannes, mas eu, gostando como gosto do filme, teria premiado Universo Preto Paralelo, de Rubens Passaro, que me produziu um efeito devastador. Enfim, como não se cansa de dizer Thierry Frémaux, vencedores de festivais são sempre relativos. Vencem com um júri, outros júris poderiam escolher outros filmes, tudo no plural. Dizendo isso, parece que estou reclamando. Foi um belíssimo festival. Compacto (200 filmes), repleto de encontros, bons debates. E eu não falei nenhuma vez nas vinhetas da Globo. Todo ano, a Globo Filmes escolhe um viés. Esse ano foi ‘Alguns imaginam, outros criam’, homenageando o trabalho de fotógrafos, diretores de arte, diretores de casting, etc. Como sobrou para a Globo nos debates mais políticos, é até temerário dizer que amei (as vinhetas). Só o que me faltava, nessa quadra da vida, era ser chamado de vendido.