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Festival do Rio (13)/Universo em transformação

Luiz Carlos Merten

10 Outubro 2015 | 09h40

RIO – Fiz ontem à tarde o debate de Aspirantes, o longa de Ives Rosenfeld, e foi bem bom. Emendei com uma entrevista com Cléo Pires, que me deu um chá de espera porque estava gravando – mas quando veio foi sensacional – e terminei a noite vendo Campo Grande. Vamos por partes, como diria o esquartejador. Adorei as crianças do filme de Sandra Kogut, Ygor Manoel e Rayane do Amaral, e acrescento que Carla Ribas e Júlia Bernat corresponderam ao que esperava delas. Júlia também está em Aspirantes. São ótimas. Mas confesso que não consegui ‘entrar’ no filme. Campo Grande é sobre duas crianças, um casal de irmãos, que irrompem na casa de Carla, que se chama ‘Regina’. Ela tenta descobrir por que as crianças estão ali. A filha de Regina está indo morar com o pai, ela própria está se mudando. A casa está uma bagunça, a cidade está uma bagunça. Já era tempo que alguém fizesse um filme sobre esse Rio em obras que está infernizando a vida da gente. Sempre tive o maior prazer de vir ao Rio, mas, atualmente, o acesso à sucursal do Estado, na esquina da Candelária – Rio Branco com Presidente Vargas -, virou o caos. E, à noite, ou no fim de semana, aquilo é mais deserto que cemitério, chega a dar medo. Todo esse universo em transformação serve, no filme, como cenário (metáfora?) para a precariedade dos sentimentos. As crianças esperam pela mãe, Regina está num momento difícil com a filha. Vi a situação de fora e fui ficando exasperado. Quase duas horas. Não terminava nunca. Admiro e respeito o trabalho da diretora, mas, depois de Mutum e Passaporte Húngaro, ficamos nos devendo. Campo Grande não me motivou a recriar o filme no meu imaginário.