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Festival do Rio (13)/Dancing king!

Luiz Carlos Merten

10 Novembro 2018 | 01h56

RIO – Num post anterior escrevi que não estava conseguindo chorar meu cunhado João, que foi enterrado na quinta-feira, à tarde, em Porto Alegre. Doris me deu a notícia bem tarde, à noite, e só falei com minha irmã na manhã de sexta. Marli foi lutadora, segurando a onda na fase final da Marlene, que morreu há três meses. E agora morre o marido dela. Marli foi casada 60 anos com o João e, entre namoro e noivado, foram-se mais dois anos. Foram 62 anos de vida conjunta. Ontem pela manhã veio a ressaca e ela acordou sozinha naquela cama. Seu relato foi tão comovente que chorei. Liguei para minha prima Norma, que mora no Horto. Peguei-a em casa por acaso, como me disse. Norma está com o marido, o Fouad, no hospital, com edema pulmonar. Que ano! Não sei se 2019 será melhor, espero!, mas que venha logo. Assisti na manhã de sexta a Animais Fantásticos – Os Crimes de Grindelwald, sobre o qual não quero falar agora, mas o David Yates é um puta cineasta. Nunca me esqueço da Imelda Staunton, que havia filmado com Mike Leigh (O Segredo de Vera Drake) e Ang Lee (Razão e Sensibilidade e Aconteceu em Woodstock), me dizendo em Cannes que David Yates era gênio, o maior diretor com quem havia trabalhado. E por falar em Mike Leigh vi agora à noite Peterloo e estou impactado. Não sou muito chegado nos filmes históricos dele – Topsy Turvy e Mr. Turner -, mas esse me pegou. Um massacre de trabalhadores que realizavam um protesto pacífico em Manchester, no começo do século 19. Gostei demais e parece que o mundo está regredindo. Num desses curtas que tenho visto no festival tem o áudio da tramitação da Lei da Previdência no Congresso. A voz de Temer – ‘Menos direitos, mais empregos.’ Tal é o estado do mundo. Antes do Mike Leigh assisti ao final de Simonal em companhia do diretor Leonardo Domingues e da assessora, a Cláudia Belém. Encontrei os dois no restaurante ao lado do Odeon, Cláudia me apresentou – havia falado com Leonardo por telefone – e os acompanhei quando ele entrou para os aplausos finais. Me amarro na dupla Fabricio Boliveira/Ísis Valverde desde que os vi em Faroeste Caboclo, de René Sampaio. Saí do Peterloo e fui ao Rival, ali perto, para a festa do Simonal, para a qual me haviam chamado. Unbelieveble! Com 40 anos de atraso, quando entrei estava tocando ABBA, Dancing Queen. Me juntei ao povo na pista, tiraram fotos. Chorando pela manhã, dançando à noite. A vida é feita de altos e baixos. Nada é definitivo. O importante é viver cada momento com intensidade.