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Festival do Rio (11)/Foram tantas emoções nesta quinta

Luiz Carlos Merten

08 Novembro 2018 | 23h34

EIO – Tive hoje o que se pode chamar de epifania. Foi durante a minha mediação no debate após a projeção de Domingo, de Fellipe Barbosa, na Première Brasil. Rodrigo Teixeira já me havia feito o maior elogio do filme, e eu assino embaixo. Fellipe, que agora divide a direção – com Clara Linhart, que tem sido sua parceira -, encara, de novo, a luta de classes, que já estava em Casa Grande, mas agora numa perspectiva não conciliadora, que tem tudo a ver com o atual momento do do País. Estamos dando, editorial do Estado que deveria ter saído antes, não depois do segundo turno da eleição, o maior salto no escuro de nossa história. Deus nos ajude, mas essa canalha que aí está e invoca Deus impunemente, sabe que ele não está nem aí, porque inventou o livre arbítrio justamente para lavar as mãos e dizer que não tem nada a ver com isso. F…m-se! Domingo é sobre a implosão de uma família tradicional em Pelotas, no Rio Grande, no primeiro dia do ano, que ocorre ser o de Lula na presidência, pela primeira vez. O filme é maravilhoso, Fellipe retoma a boa via (de Casa Grande). Minha epifania, a par da excelência de Domingo, tem a ver com o abraço e o sorriso luminoso que me deu Ítala Nandi, a quem não via há décadas. Tenho de admitir que estava precisando. Para comemorar, fui jantar no Epifania, um japa próximo ao Net Botafogo. Teria sido uma noite leve se, ao chegar no hotel. não tivesse ligado para a Doris, minha ex. Não sei por que liguei, nesse horário tardio. Morreu meu cunhado, João, marido de minha irmã Marli e pai do meu afilhado, Ricardo. Foi enterrado na tarde desta quinta. De novo, é como se o filme de minha vida estivesse passando diante de meus olhos. João presidia os Vagalumes do Amor, em Porto Alegre. Foi a escola de samba em que tive meu aprendizado de carnaval. Saí depois em escolas de São Paulo e do Rio, mas a primeira escola de samba a gente não esquece. João era uns dez anos mais velho que minha irmã. Viveram uns 60 anos juntos. Não consigo chorar pelo João, ele vai me perdoar. Mas é que o associo à vida, à alegria. Estou lembrando nossos carnavais, as rodas de samba da Mata Bacelar, a rua do bairro Auxiliadora em que morava, em Porto. E o meu cunhado era um homem bonito. Minha irmã, também. Doris me disse que a Marli, mesmo devastada pela dor, continua muito bonita. Tem sido um ano de dor, de perdas. Fazem parte. Abaixo o miserabilismo. Um dia todos seremos pó. Ou o sal da Terra, como dizia o Príncipe Salinas.