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Festival do Rio (10)/E o redentor ‘dog’ vai para…

Luiz Carlos Merten

08 Outubro 2015 | 13h13

RIO – Na saída do debate sobre Nise fui à sucursal do Estado redigir meus textos de hoje no jornal. Meus amigos Dib Carneiro Neto e Kika Freire – ela dirige a peça dele, Pulsões, em cartaz de sexta a domingo no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo – ficaram bebendo na Cinelândia. Reencontrei-os mais tarde. Fomos ver Truman. Não tinha referência alguma sobre o filme de Sesc Gay, mas, enfim, Ricardo Darín e Javier Cámara estão no elenco e o Truman do título é um cachorro. Por que não conferir? Foi o que fizemos. Gostei muito. Javier, que mora no Canadá, voa para Madri, ao encontro do amigo Darín, que está morrendo de câncer. A grande preocupação de Darín é – quem vai ficar com Truman, seu cachorro? Sesc Gay fez um filme sensível sem ser piegas. Tomei um choque, e espero que vocês não vejam o que vão ler como preconceito, mas Javier Cámara é ótimo fazendo aquelas bichas loucas nos filmes de Pedro Almodóvar. Nunca sei se ele é mesmo daquele jeito ou se está representando. Não importa. Almodóvar é grande. Também não importa se Javier Cámara representa fora de sua persona lá ou cá, mas ele é maravilhoso em Truman, como um hetero confrontado com seus sentimentos e os do amigo. Darín e ele têm cenas viscerais e eu queria cortar os pulsos quando Darín despede-se do filho sem dizer ao garoto que está morrendo. Ocorre ali alguma coisa que a gente só entende depois. e o filme, além de Darin e Cámara, tem o são-bernardo. O cachorro olha para os dois, e para a câmera, como quem entende tudo. Nunca gostei tanto de Javier Cámara Como neste filme, mas Truman, o perro, bem poderia ser o melhor ator do festival.